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Pra ponte que caiu

Os que tentam promiscuir religião com política acabam de contrair nova dívida, com a sociedade e o deus em cujo nome dizem falar. Duas pontes caíram na BR-319, no Amazonas. Porque habituais e fartamente justificadas, logo surgiram suspeitas de desvio de recursos ou, no mínimo, pagamento antecipado de obras e serviços relativos à manutenção das pontes. Por se tratar de suspeitas e interpretações raramente e cristalinamente esclarecidas, convém acrescentar aspecto de algum modo esquecido. Não é mais do desvio dos recursos ou do propinoduto profundamente radicado nesse setor governamental, que se deve falar. Entregá-los às autoridades policiais e controladoras da administração pública é quanto deve ser feito agora. Acrescentar ao rol dos crimes cuja apuração é da área policial a associação de agentes públicos e as respectivas agências, com os fatos, não pode ser dispensado. As pontes que caíram haviam sido dadas como seguras. Recente vistoria promovida pelo DNIT atribuiu nota 4, quando o máximo é 5, às condições das duas "obras de arte", como as classifica o jargão da engenharia de transportes. Nada menos que estender a todos os setores e a todas as funções governamentais a prática característica dos que mandam e pretendem continuar mandando: mentir, mentir, mentir mais e sempre mentir. Logo aparecerão os que dirão ser a queda das duas pontes uma determinação do deus perverso a que dirigem suas perorações. Como o viram nossos antepassados nas pestes, e como o veem hoje os que encaram a pandemia como uma gripesinha que mata quase 700.000 pessoas, porque um dia todos morreremos. Sequer passa pelas mentes que inventam mentiras, a possibilidade de outros deuses estarem fazendo deles mensageiros da desgraça. Uma espécie de condenação pelos tantos males que têm feito e prometem continuar fazendo.

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