top of page

Atualizado: 30 de out. de 2022

Vivemos o suficiente para saber quão complexas são as relações humanas. Ainda mais quando alguma das partes envolvidas prima pelo desrespeito ao direito do outro. Daí vermos com preocupação os acontecimentos em que se envolveu a deputada Carla Zambelli, na tarde de hoje, na região dos Jardins, em São Paulo. Os antecedentes, dela e de seus parceiros políticos não autorizam - antes exigem o contrário - qualquer negligência ou desatenção. Seguindo a lógica de uma das mais famosas autoras de romances policiais , Agatha Christie, a primeira pergunta a fazer na investigação criminal é a quem interessa o crime. Quais os que dele podem beneficiar-se. Embora as imagens mostrem um homem preto e gordo correndo dela e do grupo que a acompanhava, além dela mesma só um homem que a ajudava dispunha de uma arma. O homem dado como agressor, encurralado e encostado a uma grade por grupo numeroso de outras pessoas, ainda assim logrou escapar. Já há muita coisa da mesma natureza por esclarecer suficientemente, desde setembro de 2018. No entretempo que se estendeu daquele alegado atentado até aqui, fatos de igual gravidade aconteceram, sendo o mais recente a tentativa de assassinar dois agentes da PF, pelo notório e condenado delinquente Roberto Jefferson. A esta altura do processo eleitoral, observa-se aumentar o desespero dos que se sabem derrotados. Não que lhes tenha faltado criatividade malsã, na busca de compensar a falta de votos que as consultas ao eleitorado confirmam. Faz-se necessário, mais que isso imperativo, virem a campanha do candidato virtualmente eleito e ele próprio não apenas condenar qualquer prática marginal que possa prejudicar a normalidade eleitoral, cuja consumação chegará em 24 horas. Planos Cohen, fake-news à farta e outras trapaças não podem ser admitidas, menos ainda quando pretendem, mais uma vez, nutrir-se de cadáveres. Espero que os desesperados não sejam rechaçados com igual desespero. Peçam e tornem rigorosas, pelo acompanhamento, as investigações que porão tudo às claras. Como tem sido, nos últimos meses e dias.

 
 
 

Nem todos os contos infantis atentam para a influência que exercem na mente de seus destinatários. A presença de fadas e bruxas, tão frequente, não basta para levar às crianças a promessa de um mundo melhor. Também não garante encaminhá-las para uma vida feliz. A literatura infantil tem exemplos, até em quadrinhos aparentemente ingênuos, capazes de despertar o ódio hoje tão manifesto. Tom e Jerry, Piu-Piu e Frajola são clássicos, como o são alguns dos contos dos irmãos Grimm. O sadismo que habita a alma de muita gente não se satisfaz com os demônios interiores, nem com as assombrações produzidas em território nacional. Por isso, vão buscar em terras alheias o que lhes apeteça e satisfaça o sadismo e, não com menor frequência, o mazoquismo que os possui. Há tempos em que se dedicam a maltratar os que se lhes opõem. Noutros, juntam o ódio que os anima à vontade de autoflagelar-se. O tributo pago aos diabos que os inspiram. Fazem-no, rendendo homenagens ao Halloween. Desta vez, é quase certo que o fácies horripilante perderá um pouco da malignidade. Na véspera, a fada-madrinha pode chegar antes, escondida nas urnas eletrônicas. E, tal o peru de Natal, a bruxa morrerá na véspera.

 
 
 

Desta vez o inimigo

(ele se quer assim)

tornou tudo mais fácil

simples como o sol

toda manhã renovado

pelo clarão da lua anterior

iluminado

esclarecendo valores

misturando conceitos

confundindo sentimentos

labor perverso e desvairado


A aposta nunca se mostrou

tão clara nem

menos ainda imperativa

surgida da praia

mais iluminada

da mata sempre e mais

devastada

da mais sombria e tenebrosa

furna

tudo ficou entregue

à cabeça onde se instala

a consciência do homem

e à mão que tecla os

botões da mais segura

urna


Ali onde a bala

não tem vigência

nem abala a vontade

a vantagem aqui compensa

o sonho-cidadão

que se faz e fará

verdade

sem o ribombar do trovão

sem outra arma na mão

do impio ou do devoto

sem o grito torturado

do que se vê e sabe excluído


Vida vivida na mais

sofrida amargura

vendo chegar o dia

em que o amor supera o ódio

rompe nó que era górdio

inferno é lugar da ditadura

preferível é ter

democracia

no alto de todos

o melhor pódio.


Manaus, 27/10/22.





 
 
 
bottom of page