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Leio, vejo e ouço declarações, informações e comentários sobre a ação dos vândalos terroristas, dia 8 de janeiro, em Brasília. Pela gravidade dos crimes cometidos, impossível seria esperar unanimidade. Os canais da rede Globo, a tevê aberta e a Globo News estão em permanente campanha contra os terroristas e os seus cúmplices. Do outro lado, tem-se a impressão de ver , ouvir e ler pessoas chegadas ao Brasil a partir do dia 9 de janeiro. Para esses, crime é promover o devido processo legal , não as agressões ao Estado Democrático de Direito , agravadas com a destruição do patrimônio público . Tudo quanto os próprios assaltantes registraram em imagem e som parece nada informar. Entregam-se os que se sentem agredidos pela ação dos delinquentes, em encontrar os financiadores, protetores e de alguma forma cúmplices da baderna. Depois exigir a mão longa da Lei, para processá-los e puní-los, quando for o caso. Em suma, encontrar as digitais ainda escondidas, já que as dos executores e de alguns outros delinquentes já são do conhecimento público. Há, porém, os que não puseram seus pés nos lugares vandalizados, não aparecem em nenhuma das triunfais selfies conhecidas, nem experimentam o "horror" (dizem os presos) de Papuda e Colmeia. Mesmo se nenhuma dúvida eles têm a respeito do uso do pau-de-arara, cadeira-do-dragão, instrumentos louvados por seu objeto de adoração. Não trato de fatos e coisas inventadas, apenas comprovados e justa e tragicamente integrados aos registros de nossa História.

 
 
 

O ex-Presidente fujão foi quem o disse: só aprendi a matar. Mais, muito mais coisas foram ditas por ele - antes e depois das eleições, as de 2018 e as de outubro último. Precisamos ser justos, portanto, se desejamos pelo menos explicar - porque aplaudir e defender não faria sentido a qualquer pessoa de boa fé e motivada por bons sentimentos - sua (má) conduta. Porque aplicado na aprendizagem que ele mesmo reduz à morte alheia, é cabível imaginar ser ele detentor das técnicas que tiram a vida de seus semelhantes (com o devido pedido de desculpas aos outros). Isso pode dar a justificativa pelo amor às armas e a nem sempre frustrada persuasão dos outros para que também as usem. Só assim poderia satisfazer a meta (30.000 mortos) que ele confessou esperar. Se há como multiplicar esse número, bem-vindo pode ser um vírus e as oportunidades que ele oferece aos que se compraze com a morte. Se não se podem atribuir todas as quase 700.000 mortes de infectados pela doença, ao menos 200.00 delas estão sob suspeição. Meta muito além da que ele alcançaria com as armas. Embora estas continuem matando, sobretudo na periferia das cidades brasileiras. Se isso não basta, e se nossos fardados não repetiram o ato para o ex-Presidente fujão louvável de seus colegas norte-americanos, ele encontraria um jeito de exterminar populações indígenas. Aí está a tragédia documentada que vitima o povo yanomami. Abandono total, falta de alimentos e medicamentos levam à norte, sabemos todos, tenhamos ou não apreendido a matar ou a evitar a morte. Nossa e dos outros. Melhor, ainda, para os exterminadores, quando se valem do esconderijo de onde nunca deveriam ter saído e impõem o silêncio sobre documentos e imagens que põem a nu a perversidade humana. Eis, porém, que chega a hora da verdade. Quando os aliados de toda estirpe - desde os ingênuos por imaturidade, os ingênuos por conveniência, o ingênuos por ignorância, até os fanáticos que nem por o serem deixam de ser perversos também - alinhados à grei do matadores, pedem desculpas, fingindo-se de envergonhados. Bate-lhes à porta, sem que a própria consciência, inexistente, se apercebam de que a Lei não tem braços tão curtos quando esperavam. Nem os que a administram estão cegos como a estátua posta à frente da sede maior do Poder Judiciário. Ai, então, é hora de prestar contas à consciência social, à História também. Enquanto a Lei os persegue legitimamente, gastam as lágrimas antes devida às vítimas de sua cumplicidade. E repetem o mimimi usual na narrativa dos que eles gostariam de ver mortos, porque bandido bom é bandido morto. O líder vê replicada, na prática e dentre sua grei, as palavras que louvam a tortura e conferem comendas e medalhas aos torturadores. Gente assim, que só aprendeu a matar, não pode ter uma vida verdadeiramente humana. Aprender a morrer sempre será melhor.

 
 
 

Parece ainda não ter sido superada a articulação que pretende mais uma vez estimular a criminalidade, ao invés de investigar a fundo e punir exemplarmente os terroristas que atacaram as sedes do Executivo, do Congresso e da mais alta corte de Justiça do País. Não apenas os que foram expostos aos riscos da aventura antidemocrática, mas também os que financiaram os atentados, os que se omitiram mesmo sendo legalmente autorizados a agir em defesa da democracia, tanto quanto os que impediram a ação de outros agentes públicos incumbidos da guarda dos prédios atacados. Os primeiros já são conhecidos pela sociedade como patriotários, mobilizados por terceiros que nunca arriscam a própria pele, alguns até fugindo do País, para fingir alheamento à ação golpista. O pretexto, a tentativa de justificar os atos de 8 de janeiro, em Brasília, a de sempre - não retaliar os agressores, para chegar à suposta reconciliação da sociedade brasileira. É como se os terroristas não estivessem cometendo crime, e se o poder público devesse nivelar os cidadãos dignos aos agentes da baderna, da qual resultou expressivo dano ao patrimônio da União. A proposta pode até ser considerada equivalente à exigência de deixar os traficantes e milícias que operam em favor do comércio de drogas livres, porque a repressão ao tráfico poderia descontentar os chefões desse rentável e falsamente combatido negócio. Reprimi-los ameaçaria a paz na sociedade. Tanto quanto todos devemos e podemos exigir o combate ao tráfico, tanto quanto a outras e todas as formas de criminalidade, hão de ser os terroristas duramente tratados. Primeiro, porque as consequências de seus atos recebem tratamento legal semelhante a outros crimes, todos previamente tipificados no Código Penal e outros diplomas legais. Depois, porque no caso das hordas terroristas trata-se de uma ofensa ao Estado Democrático de Direito, dada a configuração de um golpe que pretende subverter o resultado das urnas de outubro de 2022. Como considerar retaliação, se crimes foram praticados, se grande parte de seus autores diretos e financiadores estão identificados (alguns até presos), e é extenso o elenco dos que os recepcionaram, deram-lhes proteção e auxílio, alguns recusando como de seu dever constitucional, reprimi-los ao primeiro sinal da violência depois cometida? Retaliação e perseguição não são o mesmo que persecução policial e judicial. Estas, em todo caso, devem pautar-se pelo devido processo legal, em que todos os direitos individuais são respeitados, fechando-se a porta para a prática de tortura, assassinato e execução dos presos. Como está gravado na memória dos brasileiros que se interessam pela História. Os que pedem a leniência no tratamento dos golpistas de 8 de janeiro constituem-se em cúmplices cuja agressão ao Estado Democrático de Direito merece a condenação da sociedade e do Poder Judiciário.

 
 
 
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