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As diversas formas de matar

O ex-Presidente fujão foi quem o disse: só aprendi a matar. Mais, muito mais coisas foram ditas por ele - antes e depois das eleições, as de 2018 e as de outubro último. Precisamos ser justos, portanto, se desejamos pelo menos explicar - porque aplaudir e defender não faria sentido a qualquer pessoa de boa fé e motivada por bons sentimentos - sua (má) conduta. Porque aplicado na aprendizagem que ele mesmo reduz à morte alheia, é cabível imaginar ser ele detentor das técnicas que tiram a vida de seus semelhantes (com o devido pedido de desculpas aos outros). Isso pode dar a justificativa pelo amor às armas e a nem sempre frustrada persuasão dos outros para que também as usem. Só assim poderia satisfazer a meta (30.000 mortos) que ele confessou esperar. Se há como multiplicar esse número, bem-vindo pode ser um vírus e as oportunidades que ele oferece aos que se compraze com a morte. Se não se podem atribuir todas as quase 700.000 mortes de infectados pela doença, ao menos 200.00 delas estão sob suspeição. Meta muito além da que ele alcançaria com as armas. Embora estas continuem matando, sobretudo na periferia das cidades brasileiras. Se isso não basta, e se nossos fardados não repetiram o ato para o ex-Presidente fujão louvável de seus colegas norte-americanos, ele encontraria um jeito de exterminar populações indígenas. Aí está a tragédia documentada que vitima o povo yanomami. Abandono total, falta de alimentos e medicamentos levam à norte, sabemos todos, tenhamos ou não apreendido a matar ou a evitar a morte. Nossa e dos outros. Melhor, ainda, para os exterminadores, quando se valem do esconderijo de onde nunca deveriam ter saído e impõem o silêncio sobre documentos e imagens que põem a nu a perversidade humana. Eis, porém, que chega a hora da verdade. Quando os aliados de toda estirpe - desde os ingênuos por imaturidade, os ingênuos por conveniência, o ingênuos por ignorância, até os fanáticos que nem por o serem deixam de ser perversos também - alinhados à grei do matadores, pedem desculpas, fingindo-se de envergonhados. Bate-lhes à porta, sem que a própria consciência, inexistente, se apercebam de que a Lei não tem braços tão curtos quando esperavam. Nem os que a administram estão cegos como a estátua posta à frente da sede maior do Poder Judiciário. Ai, então, é hora de prestar contas à consciência social, à História também. Enquanto a Lei os persegue legitimamente, gastam as lágrimas antes devida às vítimas de sua cumplicidade. E repetem o mimimi usual na narrativa dos que eles gostariam de ver mortos, porque bandido bom é bandido morto. O líder vê replicada, na prática e dentre sua grei, as palavras que louvam a tortura e conferem comendas e medalhas aos torturadores. Gente assim, que só aprendeu a matar, não pode ter uma vida verdadeiramente humana. Aprender a morrer sempre será melhor.

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