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Imagine-se a configuração do Mundo e a política que nele se instala, se um cuidado rotineiro nas empresas e no serviço público fosse levado em conta! Refiro-me ao currículo de vida (curriculum vitae) dos pretendentes ao posto disputado. Nas empresas, como nas outras organizações, da administração pública, inclusive. Certamente, seríamos poupados de testemunhar os asquerosos e inaceitáveis eventos patrocinados, estimulados, financiados e executados sob as ordens de Donald Trump. Seria mais fácil e exitoso desenvolver geopolítica menos lesiva à humanidade e menos ameaçadora, envolvendo todos os continentes. Do que se sabia até poucos meses atrás, já se teria evitado a intranquilidade característica destes primeiros dias pós-invasão da Venezuela e sequestro do Presidente daquela república (bolivariana, diga-se por oportuno) e sua mulher. Nem todos têm a memória tão fraca, a ponto de ignorar decisões anteriores do soba norte-americano, íntimas do desejo de mandar no Mundo, um novo Nero (quem sabe Herodes) disposto a satisfazer todas as suas necessidades, à custa da vida de tantos em países que sele seria incapaz sequer de localizar num mapa-mundi. Aos primeiros aquinhoados com olhos de ver e boa memória, ocorreria de lembrar outros episódios que envolvem o sócio de Benjamin Netanyahu no empreendimento chamado holocausto do povo palestino. A essa lista meramente exemplificativa (porque exauri-la seria dispor de tempo ilimitado) pode-se somar a conduta de Trump, em relação ao Presidente deposto do Panamá, Manuel Noriega e a Sadan Hussein, do Iraque. No caso do primeiro, a acusação de participar de organização criminosa de tráfico de drogas, levou o governo norte-americano, a invadir o país centro-americano e aprisionar o presidente deposto pelas forças norte-americanas. Estávamos em 1989. Mais recentemente (2003), o iraquiano foi enforcado, depois de responder a processo fundamentado em uma das mais abjetas mentiras produzidas pela "inteligência" ianque. Agora mesmo, quando Trump e seus sequazes espalhados pelo Mundo gargalham e festejam o crime cometido, é da boca (suja e infectada) do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte que vem o desmentido do que antes ele proclamou como causa da invasão do território que Simón Bolívar conquistou para os lá nascidos: Nicolás Maduro não está envolvido nas organizações que traficam drogas ilícitas, preferidas pelo paladar dos compatrícios do invasor. Noriega, como sabe qualquer pessoa medianamente informada, fora aliado dos Estados Unidos da América do Norte e agente da CIA. Entre o ex-Presidente do Panamá e Nikolás Maduro, o traço de união não é apenas o fato de terem ambos sido presos pelo governo estadunidense, após uma invasão do território do Panamá e Venezuela, e o assassinato de alguns de seus compatrícios (500, na república da Centro-América; 40, ao que se informa, na república bolivariana). Conta na construção da linha do tempo, o dia em que aqueles países foram agredidos por forças norte-americanas - 3 de janeiro, de 1990 e 2025, respectivamente. Em outros países, pretensos enviados das divindades têm alimentado o mesmo apetite pelo poder. Alguns chegam a usar seitas e religiões que lhes asseguram apoio material e completa adesão aos desvalores e propósitos a que se entregam. Mesmo se em seus registros curriculares grande parte corresponda a ações delinquentes, merecedoras por isso das penas previstas na legislação de suas respectivas nações. À falta da análise curricular de indivíduos como Trump e os que a ele se assemelham, vê-se a sociedade humana levada ao risco de conviver com esses necrocratas, uma subespécie da espécie animal dita superior, que a presunção de culpa poderia afastar do convívio sadio entre iguais. Quem sabe não é chegada a hora de, em questões específicas do Direito Penal e Constitucional, ser criado um instituto correspondente, com sinal contrário, à presunção de inocência? Para isso serve o currículo de vida dos interessados.

 
 
 

Quem quiser saber mais sobre os momentos difíceis produzidos pela conduta do Presidente norte-americano, não pode deixar de ver e ouvir o vídeo que o Youtube divulga, na Agenda Pepe Café. Nela, o comentarista Pepe Escobar destaca sobretudo o papel que a vice-Presidente Delcy Rodriguez desempenha, na defesa da soberania de seus país e da honra de seus compatriotas. Longe de mostrar-se frágil e ir até o ponto a que foram e continuam indo os traidores mais recentes do Brasil, a vice-Presidente constitucional da Venezuela reúne em torno de si a indignação popular, que o comentarista informa multiplicar-se em todos os cantos daquele belo país caribenho. Percebe-se, até, certo otimismo do jornalista, quando trata da reação de governos de alguns países, no continente americano e em outros continentes. Umas, mais ousadas e indignadas; outras, preferindo a falsa habilidade com que se caracterizam as relações de subordinação a nações poderosas, aqui e acolá. Talvez isso responda pelo tom entusiástico e otimista com que Pepe Escobar desenha o panorama global pós-sequestro do Presidente Nicolás Maduro. Se acrescentarmos aos comentários objeto desta manifestação o fato de que somente uma circunstância - a detenção de arsenal atômico - pode levar Trump a concretizar suas mais perversas intenções, certamente será menor nosso grau de otimismo. Digo-o, certo de que muitos se surpreenderão com o que parece ser uma exceção nas minhas convicções, sempre alimentadas da esperança de que é possível, sim, fazer um mundo melhor. Talvez por permanecer viva em minha memória o que ocorreu em certo mês de agosto, era 1945. Chamam-se Nagasaki e Hiroshima as duas cidades destruídas. Com elas, centenas de milhares de vidas humanas. Nem antes, nem depois, o governante de qualquer outro país cometeu crime de tamanha gravidade! Pois vejo na circunstância aqui apontada a única razão - porque Trump não está destituído de razão; apenas responde à lógica que é sua e a dos que lhe rendem homenagem e prestam servil adoração. Mais que qualquer outro cidadão do Mundo, o soba norte-americano sabe o terreno em que pisa. Quando provoca e desafia a humanidade e ameaça a paz mundial, ele não ignora o poder bélico de outras nações. Interessa saber, queiramos ou não, como se comportarão a China e a Rússia, talvez até antes que novo Enola Gay derrame toneladas de bombas sobre a Venezuela e todos os demais países e povos que se sentem agredidos. Antes, dizia-se dos países orientais serem tigres de papel. Hoje, somos incomodados pelos ratos de esgoto e os excrementos de que são feitos.

 
 
 

A reivindicação presente da direita, sobretudo a brasileira, é a extensão da violência cometida contra a Venezuela e Maduro, ao Brasil. Frustrada no desejo de causar embaraços ao governo atual, suas mais destacadas lideranças insinuam repetir a tentativa da família do ex-Presidente, cujo processo judicial está longe de encerrar-se. Compreensível a preocupação dos candidatos ao espólio do zumbi político, sabedores todos de que ainda falta completar a extensa lista de processados, à véspera da única sentença prevista - a condenação. Se, para o mundo a invasão do país detentor da maior reserva de petróleo do Planeta tem causado repúdio e condenação, os brasileiros de direita tentam dar sequência à ação dos traidores ainda não alcançados pelo braço da lei. Embora a ação militar do governo dos Estados Unidos da América do Norte não contenha qualquer toque de ineditismo, ainda assim não pode ser menosprezada, nem dispensar a rejeição e a resistência de outras nações. Especialmente as que se situam na América Latina, tradicional alvo da truculência do império que se sabe em desfazimento. Desde a Guatemala, nos meados do século passado, constituiu-se rotina a aplicação da doutrina Monroe a que se vinculam os golpes de estado que derrubaram governos neste pedaço do Mundo. Equador, Colômbia, Paraguai, República Dominicana, Nicarágua, Argentina, Uruguai, Bolívia, Chile, Granada, Honduras, Panamá e Brasil conhecem bem essa história. Também a conhecem outras nações, em outros continentes, sendo que é até dispensável mencionar o Vietnam, onde se registrou o maior fracasso da brutalidade da política do big stick, tradução material da doutrina Monroe e seu corolário, enunciado por Roosevelt. Tal corolário avança agora, depois das intervenções no Iraque (de que resultou a morte de Sadain Hussein), da Líbia (de que saiu morto Muhamar Kabdaffi) e da Síria, que defenestrou Bachar al-Assad. Já nem se fale de outros atos de igual violência, quando a falta de argumentos pretextou o uso da força bruta. Também nunca a ordem jurídica internacional conseguiu impor-se, resultado de as organizações sucessoras da Liga das Nações terem militado sempre a favor dos mais poderosos. Os belicistas por excelência, que outra não pode ser a classificação dos Estados Unidos da América do Norte. Afinal, como disse José Kobori, nenhum império cai sem um tiro. Ao que Rogério Tomaz acrescenta ter-se o mundo tornado um grande manicômio, um amplo matadouro. Quem quiser saber mais, pode consultar o youtube, plataforma onde ontem foram postados os comentários que inspiram o presente texto.

 
 
 
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