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Voltaram a circular nas redes apelos para o Brasil entrar na corrida armamentista. Mais especificamente, pressões sobre o governo brasileiro, até nos inscrevermos no clube atômico. Trocando em miúdos: a detenção, pelo Brasil, de arsenal nuclear. Isso, advogam alguns setores, notadamente dentro das forças armadas, intimidaria os agressores de que Donald Trump é o líder e exemplo. Confesso ter alimentado, durante algum tempo, a mesma ilusão. A vida me tem ensinado, porém, que o primeiro - e talvez o último, também - resultado seria aumentarmos o risco de uma nova guerra atômica. Desta vez, funcionando o feitiço contra o feiticeiro. Nossa inscrição no clube atômico traria com ela a colocação do País na linha prioritária dos alvos. Fortaleceram-se em mim, pelo menos, os temores e a rejeição a soluções que extrapolem o processo democrático. O que significa dizer, fora ou acima do ordenamento jurídico próprio do Estado Democrático de Direito não é mais que o retorno à barbárie. Tornei-me um pacifista convicto, menos porque avanço na medida do calendário, mas sobretudo porque os dias, um-após-outro, me têm ensinado. Incluem-se nas lições aprendidas, a que me revela a total impossibilidade de algum governo ou alguém dar o que não tem. O que combina com a certeza de que a quem falte humanidade ou sentimento digno dela, a morte precede e se sobrepõe à vida. Uma terceira convicção refere-se à compensação encontrada nas armas pelos que se sentem humanamente inferiores e covardes. Cultivemos o uso da palavra, sobretudo os que proclamam no princípio etanol verbo.

 
 
 

Os negativistas de toda espécie, frustrados ou dificultado o alcance de seus objetivos, desviam o olhar das coisas mais aparentes. Pior, põem -se a propor e discutir temas à margem do núcleo central dos problemas ostensivos. Encurralados pela evidência dos crimes cometidos por Donald Trump contra a Venezuela e seu povo, tentam distrair a opinião pública mundial para o que será aquele país, quando estiver afinal sob o controle do governo norte-americano. Ou seja, partilham dos mesmos interesses de Trump, aplaudem sua conduta criminosa e - nada surpreendente, pela origem - reivindicam igual tratamento para seu próprio país. Pior, buscam passar por patriotas, ao mesmo tempo em que inventam virtudes de que os objetos de sua adoração e subserviência estão longe de ostentar. Movidos pelas piores intenções e desdenhosos do sofrimento imposto e projetado contra seus compatrícios, fingem ignorar sua próxima inclusão na lista de vítimas que a brutalidade costuma produzir. Quando - e oxalá não aconteça - o Brasil for submetido à mesma sina da Venezuela, responderão com o jargão dos covardes: nada poderia ser feito, eles são mais poderosos. Dirão isso, ao mesmo tempo em que os púlpitos e salões de arrecadação de dinheiro reúnem multidões, louvando a funda usada por Davi, contra o bruto Golias.

 
 
 

O comportamento humano é condicionado por fatores internos e externos. Num certo sentido, algo relacionado ao que Ortega y Gasset chamava circunstâncias. Como a realidade percebida por um, não é a mesma que outro percebe, são diversas também as reações do homem a estímulos aparentemente iguais. Tudo quanto cerca o observador e por ele é apreendido, ao ser interpretado incorpora o que chamaríamos visão de mundo. O contexto, portanto, reúne matéria exterior ao observador; dentro dele, porém, estão o amor e o ódio; a compaixão e o egoísmo; a solidariedade e a hostilidade... Jô Soares, em seu Planeta dos macacos, usava como bordão a frase-título deste comentário. Dizia-a o próprio humorista, transformado em um quase anão, dotado de exacerbado ego. Desejando-se respeitado e reverenciado, incomodavam à personagem o desdém e a hilaridade que ele despertava nos interlocutores. Embora visse seus semelhantes como ainda integrantes da comunidade de símios, que o nome do programa consagra, ele era o menor de todos. Na dimensão física, mas também em muitas outras dimensões. Um perdedor sempre, condição de que decorriam outras, como o sentimento de inferioridade, frequentemente produtor da inveja. Daí ao ódio aos seres realmente humanos e ao Mundo, menos que um passo basta. Saiba-se o leitor livre para fazer sua lista de indivíduos correspondentes à descrição. Quando pensávamos vencida a chamada idade das trevas.

 
 
 
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