Verbo e armas
- Professor Seráfico

- há 17 minutos
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Voltaram a circular nas redes apelos para o Brasil entrar na corrida armamentista. Mais especificamente, pressões sobre o governo brasileiro, até nos inscrevermos no clube atômico. Trocando em miúdos: a detenção, pelo Brasil, de arsenal nuclear. Isso, advogam alguns setores, notadamente dentro das forças armadas, intimidaria os agressores de que Donald Trump é o líder e exemplo. Confesso ter alimentado, durante algum tempo, a mesma ilusão. A vida me tem ensinado, porém, que o primeiro - e talvez o último, também - resultado seria aumentarmos o risco de uma nova guerra atômica. Desta vez, funcionando o feitiço contra o feiticeiro. Nossa inscrição no clube atômico traria com ela a colocação do País na linha prioritária dos alvos. Fortaleceram-se em mim, pelo menos, os temores e a rejeição a soluções que extrapolem o processo democrático. O que significa dizer, fora ou acima do ordenamento jurídico próprio do Estado Democrático de Direito não é mais que o retorno à barbárie. Tornei-me um pacifista convicto, menos porque avanço na medida do calendário, mas sobretudo porque os dias, um-após-outro, me têm ensinado. Incluem-se nas lições aprendidas, a que me revela a total impossibilidade de algum governo ou alguém dar o que não tem. O que combina com a certeza de que a quem falte humanidade ou sentimento digno dela, a morte precede e se sobrepõe à vida. Uma terceira convicção refere-se à compensação encontrada nas armas pelos que se sentem humanamente inferiores e covardes. Cultivemos o uso da palavra, sobretudo os que proclamam no princípio etanol verbo.

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