O marco de amanhã
- Professor Seráfico

- há 3 horas
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Amanhã, em sessão que se espera aberta a todos os brasileiros (e estrangeiros que se interessam pelo Brasil,) será julgada a liminar sobre os penduricalhos, como os chamou o Ministro Flávio Dino. A apropriação de dinheiro público para satisfazer a ganância, a perversidade e a imoralidade de membros do Poder Judiciário senta no banco dos réus. É chegada a hora, portanto, de estabelecer diferenças fundamentais entre os que podem e os que não merecem ser levados a sério, vestidos da toga preta que alguns usam como escudo e capa protetora de seus maus hábitos. Corte cuja função se esgotaria na avaliação da obediência à chamada Lei Maior, o STF acabou assumindo funções regulares de varas judiciais espalhadas pelo País. Não raro, sofrendo o assédio dos que a veem como aparelho burocrático de proteção aos que mandam ou de outros, empenhados em tornar cada um de seus membros refém de interesses nem de longe relacionados à distribuição da Justiça - razão de sua criação e funcionamento. Trata-se de duplo julgamento. Ou duas são as faces desse julgamento. Se a primeira consiste em recusar o papel mesquinho desempenhado pelos julgadores maiores, a outra põe em xeque a respeitabilidade do próprio órgão de cúpula do Poder Judiciário Brasileiro. Que lá estão algumas figuras cuja liberdade estaria comprometida, se em todas as delegacias de polícia houvesse o legítimo e permanente empenho por investigar, processar e punir os atos delituosos, não há qualquer dúvida. Que há, dentre eles, alguns ministros que pautam sua vida pela observância da moral e dos bons costumes, também não se pode duvidar. Por causa disso, a sessão plenária de amanhã ganha maior importância. Chega a ser espetáculo (tão ao gosto de alguns dos integrantes daquele que deveria ser um excelso colegiado) exigível da audiência de toda a sociedade brasileira. Se as fábricas parassem, os telefones de confortáveis gabinetes desligassem seus telefones e computadores, as aulas fossem suspensas, as igrejas, sindicatos, ongs, coletivos populares e outros agentes públicos e particulares instalassem telas de televisão, e as emissoras de imagem e som reunissem multidões para assistir à construção desse importante marco - aí, então, estariam sendo prestadas aos cidadãos as contas que eles podem - por direito e dever - exigir. Durem o tempo que durarem, nos debates de amanhã pode estar o grande marco ético de nossa caminhada como sociedade digna de ser chamada humana.

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