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A democracia e o que ela quer dizer, na minha visão de mundo permite observar, refletir e elaborar. Isso me levou, desde os 12 anos de idade, a interessar-me pelo cenário e as cenas do que chamo espaço político, aquele lugar insuperável como locus da vontade humana. Esta, não qualquer outra, facilmente se instalou na minha mente como o traço definitivamente distintivo do homem, se comparado a todos os outros animais. Instinto e vontade, para mim, é o que interessa discernir. Daquele longínquo 1954, só fiz ampliar meu campo de observação e buscar meios capazes de aumentar meu conhecimento e, ao mesmo tempo, minha capacidade de discernir. Aí entram a reflexão e a formulação de juízos orientadores de minha conduta, qualquer que seja o campo e o ambiente em que me encontre. Pouco a pouco, detive-me (como o faço ainda hoje) na leitura atenta de livros, não importa a coincidência da tese defendida pelo autor. Com o cuidado que faz de cada página não mais que um amontoado de palavras, como o classificam os néscios e ignorantes de todo quilate. O lápis quase não deixa página imaculada, prática talvez agressiva para os que se acreditam dotados de extraordinária memória. Para eles, tudo ficará na lembrança, indelével como não sói ser coisa alguma que um dia nossa mente retenha. Meu lápis, assim, é companheiro de toda leitura e as marcas deixadas pelo grafite no papel talvez pareçam ao livro prova de respeito e amor do que o leu. A obra não perde seu valor intrínseco, se não rebaixa o custo comercial, no dia em que a biblioteca o entregar ao sebo. Fenômeno que espero ainda esperará a transcorrência de muitos anos. (Entrego ao leitor mais uma de minhas características: o otimismo). O que o lápis deixou à margem de cada página ajuda-me a refletir sobre o que li e concorre para fundamentar a conclusão. Sem que isso empedre meu pensamento, frequentemente levado a outras paragens, resultado de leitura posterior. Do mesmo livro, tantas vezes. De outros, aparentemente digladiando contra o anterior, posteriormente percorrido pelos meus olhos. O livro é o mesmo que restava silencioso no promíscuo escaninho da estante. A leitura, esta é nova e apenas rende fidelidade a Heráclito, para quem homem nenhum se banha duas vezes nas mesmas águas de um rio. Por último, elaboro. Sobre o que li, nas páginas, nas linhas, nos parágrafos, nos períodos, em cada palavra e, quantas vezes, nas entrelinhas. No que não vai dito, com a grande probabilidade de nem sequer ter sido cogitado pelo autor. Porque sem delírio, tanto quanto sem utopia não haveria futuro, não se faz literatura. O mesmo que disse ser toda unanimidade prova de burrice (Nélson Rodrigues, um direitista pensante), ensinou-me quão miserável é a objetividade. Não o tivesse percebido e dito, penso que não seria dos maiores teatrólogos que o Brasil conheceu.

Volto ao início. Porque cogito, leio, reflito e trabalho, imagino a democracia algo que se nutre de tolerância. Não a que nos faz cúmplices, mas a que rejeita a quadratura do Planeta, mas não se nega a discuti-la. Assim como tudo que à vontade do Homem chega.

 

 
 
 

Condecorado com a Ordem Nacional do Mérito Científico, o infectologista Marcus  Vinicius Guimarães Lacerda viu cassada sua condecoração, quando contestou o tratamento dispensado pelo governo-cúmplice da pandemia, enquanto milhares de brasileiros eram mortos pela covid-19. Depois, o atual governo devolveu a honraria, tantos os merecimentos do cientista e em reconhecimento à sua atuação profissional. Agora, a Organização Mundial de Saúde- OMS designa o médico vinculado à Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado, ao Instituto Maria e Leonard Deane/ Fundação Oswaldo Cruz e à Universidade do Estado do Amazonas - UEA para dirigir o Programa para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) daquele órgão das Nações Unidas. A nomeação de Marcus Lacerda, assinada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, tem a chancela dos demais membros do Conselho Coordenador Conjunto (JCB) e dos co-patrocinadores do TDR, entre os quais o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Banco Mundial e a OMS. "Marcus Lacerda é um gigante global da saúde do século 21, que dedicou sua vida profissional a dar visibilidade aos problemas de saúde da região amazônica brasileira e além", afirmou a diretor-geral do Instituto de Salud Global (ISGlobal) de Barcelona, Quique Bassat, em um recente perfil na publicação The Lancet.

A ser empossado no posto em março próximo, Marcus Lacerda é professor do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas e professor adjunto da University of Texas Medical Branch (UTMB). Ex-professor adjunto da Kent State University e da Tulane University. Tem mais de 460 publicações científicas. Presta consultoria e é parte de comitês e grupos de trabalho no Programa Global de Malária da OMS e consultor no Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS (GDG) para Quimioterapia contra Malária. Lacerda é pesquisador 1B do CNPq na área da Medicina e editor da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e da Frontiers Tropical Medicine. Este blog cumprimenta o infectologista Marcus, um dos discípulos mais destacados do cientista que dá nome ao antigo Hospital de Medicina Tropical do Amazonas, falecido em 2010. O editor e o infectologista mantêm amizade intermediada pelo criador do respeitável e prestigiado estabelecimento de ciência e pesquisa dedicado às doenças transmissíveis.


 
 
 

A crescente violência e a incapacidade de devolver às penas o caráter ressocializante original levaram o poder público a criar nova categoria de estabelecimentos prisionais. Chama-los de presídio ou penitenciária já não bastava. Seria necessário classifica-las. Para isso, introduzir nelas, não recursos capazes de reduzir o potencial criminoso de seus abrigados, mas aumentar o grau de vigilância sobre eles. Ainda mais, porque a prática criminosa passou a exigir organizações com caráter quase empresarial. Nesse contexto, surgiu o crime organizado. As chamadas organizações criminosas, muitas delas operando, mesmo se privados de liberdade seus maiorais. O que bastou para a produção de slogans e proclamações repetidas à exaustão. Uma delas, a que afirma ter o bandido que ser morto. Esse o sonho da direita brasileira, num certo sentido revelada no frustrado golpe de 08 de janeiro de 2023. Pois agora, o crime organizado tem uma de suas lideranças mandada para a Papudinha. Ela mesma, classificada dentre as de segurança máxima. É hora, pois, de testar a impossibilidade de as lideranças lá cumprindo pena, depois de esgotado o devido processo legal, administrarem os delinquentes em liberdade. Ainda.

 
 
 
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