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O empenho em servir aos interesses derrotados em 08 de janeiro de 2023 teima em vir à tona. Sempre carregados do mesmo rancor e da frustração dos que não conseguiram o retorno da ditadura e se sentem lesados. Pilares sobre os quais foi construída a realidade infame que pune a grande maioria do povo brasileiro, os setores derrotados viram seus líderes e inspiradores ter o destino que lhes deu o Poder Judiciário. Alguns dos mais influentes e bem servidos postos na cadeia, outro ainda por terem o mesmo destino. Percebidas as tímidas conquistas dos excluídos pela teimosia dos defensores da desigualdade, a esses servidores contumazes da elite não há caminho alternativo a seguir. Volta e meia, recrudescem sua perversidade e seu ódio a tudo quanto traga ao menos leve aroma e sabor democráticos. Tentam atribuir a responsabilidade pela polarização, da mesma forma como legitimam as políticas de ódio e discriminação suspensas em 2023, aos que buscaram fraudar as eleições de 2022. Os derrotados eleitoralmente nada de mal fizeram, a juízo dos propagadores de mentiras e órgãos de comunicação a eles acumpliciados. Nenhuma prova, mesmo as que os defensores dos golpistas não encontraram meios e argumentos que as invalidem, se presta à sua serena e honesta reflexão. Por isso, distorcem palavras ditas pelo Presidente da República, em reunião de seu partido, forçando interpretação de que sequer se aproximam, ao comentar e avaliar, por exemplo, uma das primeiras reuniões presidenciais sob a direção do ex-presidente instalado na Papuda. Atribuem ao Presidente Lula vícios ostensivos e manifestos no objeto de sua admiração, adesão e apoio. Como se o 20 de abril de 2019 e a reunião daquele dia, no Palácio do Planalto, não bastasse por si só para esclarecer os sentimentos, as inspirações e o projeto dos que então subiram ao poder. Lula não tem podido chegar aos resultados que anunciou, desde quando se fez líder dos trabalhadores, menos por falta de vontade pessoal. O que não quer dizer inocentá-lo de erros, hesitações e tibieza de que tantas vezes se tem mostrado portador. Esse reconhecimento, no entanto, não cabe no discurso da extrema-direita e nos que, nem sempre com a clareza exigível, fazem repercutir as propostas e mobilizações reacionárias. O editorial de hoje do Estadão reflete exatamente essa postura, além de mentirosa, incapaz de estabelecer as diferenças entre um e outro dos que nos têm governado, nos dois períodos sucessivos – 2019-2022 e o terceiro mandato de Lula, em curso. As metásteses do câncer social que afeta a sociedade brasileira não poupam – quando não se mostram mais graves ainda – em especial os órgãos de comunicação contrariados e aqueles para os quais estão sempre de braços abertos. Em troca, abrem-se os bolsos dos beneficiários.

 
 
 

Enquanto os produtores de motocicletas festejam a sucessiva superação de recordes no setor, as autoridades do trânsito divulgam números resultantes do uso imprudente e indecente dessas máquinas, em Manaus. Em meio às comemorações e às mortes, são conhecidos os objetivos do esforço produtivo do setor, neste exercício mal iniciado. Um dos poucos segmentos industriais que sustentam o faturamento do Polo Industrial de Manaus, seus números (produção, exportação, faturamento e lucros) fazem esquecer o que os hipócritas chamariam danos colaterais. No entanto, é disso que se trata e se testemunha, dia e noite, qualquer que seja o local em que morrem condutores e passageiros desses veículos, na realidade transformados em passaporte para o além. Menos ainda se encontram especialistas e autoridades interessados em avaliar a repercussão do mau uso desse tipo de veículo, no que concerne às despesas públicas incorridas. O atendimento das vítimas dos acidentes que envolvem motociclistas, passageiros e pedestres alcança cifras expressivas, além da sobrecarga de trabalho levada aos prontos socorros e hospitais. Não se conhecem estudos que possibilitem uma comparação entre o que é recolhido aos cofres públicos em razão da produção e vendas de motocicletas e as despesas decorrentes dos acidentes a que tais máquinas dão causa. Agora, Alfredo Lopes, filósofo e estudioso de nossa economia acrescenta motivo que deveria mobilizar os setores responsáveis, desde a academia até os sindicatos de trabalhadores e patrões e - enfim, toda a sociedade. Alfredo Lopes menciona estudo da UFAM em que é indicada expressiva queda no uso de insumos regionais nas cadeias produtivas do PIM. No período de 20 anos (2004-2024), de 32,3% o aproveitamento desses insumos caiu para apenas 18,8%. Não obstante, é recorrente a louvação de nossas riquezas naturais, nos discursos oficiais e no palavreado mentiroso da maioria das lideranças, políticas e empresariais. Há, segundo Alfredo Lopes, verdadeiro esvaziamento do PIM, quando se trata de aproveitar os insumos que a natureza amazônica oferece, e sua absorção no processo produtivo. Um paradoxo que se junta a tantos outros, um dos quais o fato de apresentarmos um dos maiores índices de desigualdade social, embora a renda gerada na cidade de Manaus coloque-a dentre as seis primeiras das capitais brasileiras. O Processo Produtivo Básico talvez devesse incluir esse item (participação de insumos regionais) como fator determinante dos incentivos fiscais de que goza a produção do PIM. Depois, encontrar uma forma de reter na Amazônia parte dos lucros e reinvesti-los na Região seria o passo a dar.

 
 
 

Netnyahu e os que a ele se aliam continuam a inglória tarefa que repete Hitler. Seu patrocinador insiste em pôr o ICE nas ruas para matar norte-americanos ou não, na maioria pretos (lá, chamados negros). A obediência de Zelensky não retrocede, como a de seu manipulador de bonecos. Varcaro e suas peripécias continuam a estimular o uso de Rivotril. Os honorários de parentes de magistrados não deixam de cair nas contas bancárias, nem os chefes de organizações criminosas desistem de expedir ordens a seus comandados. Mesmo se estão encarcerados. Alguns, vendo-se ofendidos, porque se julgam merecedores de resorte, à beira-mar. Sem serem fernandinhos, apresentam iguais talentos. Atletas do inverno sofrem acidentes nas pistas geladas de Cortina d'Ampezzo. E o Fluminense ganha mais um jogo, sempre desafiando a paciência e a pressão arterial de seus torcedores. Também não muda o noticiário a que se entregam os meios de comunicação, alguns honestos, outros nem tanto. O cachorrinho que antes chamávamos vira-lata permanece vivo, a despeito da perversidade dos adolescentes que o mataram. O troca-troca partidário tão ao gosto de outro manipulador redesenha o cenário eleitoral e intranquiliza supostos candidatos, seja qual for o cargo a disputar. Suspeito de que há orelhas ardendo, diante dos acontecimentos, no ambiente político e policial. De minha parte, preocupam-me as orelhas do novo livro - Há poesia em tudo. Conto que em abril seja levado ao público leitor.

 
 
 
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