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Amanhã, em sessão que se espera aberta a todos os brasileiros (e estrangeiros que se interessam pelo Brasil,) será julgada a liminar sobre os penduricalhos, como os chamou o Ministro Flávio Dino. A apropriação de dinheiro público para satisfazer a ganância, a perversidade e a imoralidade de membros do Poder Judiciário senta no banco dos réus. É chegada a hora, portanto, de estabelecer diferenças fundamentais entre os que podem e os que não merecem ser levados a sério, vestidos da toga preta que alguns usam como escudo e capa protetora de seus maus hábitos. Corte cuja função se esgotaria na avaliação da obediência à chamada Lei Maior, o STF acabou assumindo funções regulares de varas judiciais espalhadas pelo País. Não raro, sofrendo o assédio dos que a veem como aparelho burocrático de proteção aos que mandam ou de outros, empenhados em tornar cada um de seus membros refém de interesses nem de longe relacionados à distribuição da Justiça - razão de sua criação e funcionamento. Trata-se de duplo julgamento. Ou duas são as faces desse julgamento. Se a primeira consiste em recusar o papel mesquinho desempenhado pelos julgadores maiores, a outra põe em xeque a respeitabilidade do próprio órgão de cúpula do Poder Judiciário Brasileiro. Que lá estão algumas figuras cuja liberdade estaria comprometida, se em todas as delegacias de polícia houvesse o legítimo e permanente empenho por investigar, processar e punir os atos delituosos, não há qualquer dúvida. Que há, dentre eles, alguns ministros que pautam sua vida pela observância da moral e dos bons costumes, também não se pode duvidar. Por causa disso, a sessão plenária de amanhã ganha maior importância. Chega a ser espetáculo (tão ao gosto de alguns dos integrantes daquele que deveria ser um excelso colegiado) exigível da audiência de toda a sociedade brasileira. Se as fábricas parassem, os telefones de confortáveis gabinetes desligassem seus telefones e computadores, as aulas fossem suspensas, as igrejas, sindicatos, ongs, coletivos populares e outros agentes públicos e particulares instalassem telas de televisão, e as emissoras de imagem e som reunissem multidões para assistir à construção desse importante marco - aí, então, estariam sendo prestadas aos cidadãos as contas que eles podem - por direito e dever - exigir. Durem o tempo que durarem, nos debates de amanhã pode estar o grande marco ético de nossa caminhada como sociedade digna de ser chamada humana.

 
 
 

A todo soba animado por propósito imperial interessa fazer do Poder Judiciário, se não sua guarda pretoriana, o capanga dedicado à remoção da sujeira por ele mesmo produzida. Essa a concepção dos ditadores, nenhum deles comprometido com os mais rudimentares valores republicanos. Para gente dessa estirpe, a autonomia e a harmonia entre poderes é um empecilho, não uma forma de razoável equilíbrio político e desejável relação social. Do raciocínio redutor do potencial contido no sistema republicano, resulta a proposta de controle e manifestação do órgão distribuidor da Justiça, em cujo topo, no Brasil, é colocado o Supremo Tribunal Federal. Não tem sido diferente, porém, nos Estados Unidos da América do Norte. Em grande medida, o atual ditador norte-americano sentiu-se confortável, porque ostensiva maioria dos membros da Corte de Justiça de seu país reza pela mesma cartilha ideológica dele. Julgou-se, então, no direito de pôr em prática uma série de decisões que somente a ele beneficiam, eis que - em seu precário entendimento -, a Suprema Corte as avalizaria. Com a derrota do tarifaço, pelo órgão mais alto do Poder Judiciário. norte-americano, por 6 X 3 votos, Trump viu não ser bem, assim. Poucos dias depois da derrota, o soba aumenta a aposta. Quer ver o Mundo pegar fogo, e para isso não lhe têm faltado cúmplices. Escolheu, desta vez, o Irã como alvo de seu ódio e de sua exagerada perversidade. Se a China e a Rússia restarem em repouso reverencial, os brasileiros, os turcos, os europeus e todos os habitantes do Planeta terão a probabilidade de sentir na própria pele o calor que uma bomba atômica produz.



 
 
 

Política e moral são antípodas? Ou, em outros termos, são conceitos absolutamente incompatíveis, impossiveis de conviver em paz? Uma sendo necessariamente excludente da outra? Se a resposta a essas intrigantes perguntas for positiva, admitiremos o acerto e a legitimidade das declarações e das ações de Donald Trump. E, em consequência, todos seríamos forçados a alterar conceitos e condutas referentes (reverentes, também) à democracia. Ao contrário, a crítica e a condenação do soba norte-americano teria fundamento no que a comunidade internacional considera valores indissociáveis e irrenunciáveis da democracia. O fato de ser considerado o homem mais poderoso do Planeta, nem por isso atribui a Donald Trump o direito de intervir em outras nações, como tem sido sua conduta recorrente, neste segundo malfadado mandato. Se, pela personalidade, convicção e hábitos ele se mostra uma ameaça à segurança, à paz e a vida de todos os terráqueos, depender dele a repetição de Nagasaki e Hiroshima o torna ainda mais perigoso. Talvez o mais explicitamente belicoso de quantos chegaram à Casa Branca, Donald Trump exerce a Presidência como se lhe pesassem sobre os ombros o peso de responsabilidade e prerrogativas de que ninguém pode desfrutar. Definitivamente, Trump não é o dono do mundo, ainda que a detonação de outra bomba atômica esteja ao seu alcance. Pena, porém, não serem poucos os seguidores e discípulos do suposto imperador. Aqueles que exercem, dentre tantos outros direitos dos seres humanos, o de deixar-se subjugar e admitir e louvar a própria indignidade. Muitos dos quais se acham mais espertos que as pessoas comuns e conduzem sua vida pela mais abjeta servidão voluntária. Dentre os mais reputados valores em que se alicerçam as relações humanas, destacam-se os correspondentes à democracia. Os que a cultivam, defendem e respeitam serão os únicos a melhorar o Planeta e livrar seus habitantes da destruição que Donald Trump não cessa de perseguir.


 
 
 
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