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Sentemo-nos à mesa

esta será não a última

mas a primeira

Ceia

a que mostrará caminhos

novos, cheios de luz

sem traições

sem covardia

valente e generoso

sonho da fome

que nos inspira e conduz


sede e fome menores que o apetite

vontade e pressa

sem força que as impeça

exercer firme vontade

qualquer maldade

que o evite

diante delas se reduz


sem Marengo, Elba, Wagram

isolada de Ítaca

suas sereias e sofrimento

serenidade benfazeja

seus acontecimentos

conduzindo-nos à mais bela

das manhãs.


Manhãs de dias sem Termópilas

Enolas ou aviões

Nagasaki, Hiroshima

sobre canhões

ou vindo de cima

com a fúria dos gaviões

o bafo e a morte quente

vestida qual cogumelo

em terra de sol nascente

renascendo a todo instante

em vida que se compraz

pacífica e solidária

um refazer-se diário

sem encruzilhada ou calvário

pavimentando a paz


o pedido do andarilho

subversivo missionário

ecoa nos corações

faz melhores as boas almas

enquanto os reacionários

multiplicam perversões

apresentam novas armas


fúria ilógica, agônica

insiste em dizer não

prepara ação pervertida

nova aventura atômica

dizendo-se prometida

da miserável missão


um homem marcou a História

sem pedir laurel ou glória

deixou em paz

mesmo a escória

frequentadora do mangue

perfumada em sangue alheio

de maldades o coração

faz o maldito recheio

anda sempre para trás


Nenhum estava entre os doze

isso não lhes convinha

a Terra

ensanguentada rinha

propícia a Satanás.


Saudemos o sangue vertido

repartamos nosso pão

abraços apertados

em alegre reunião

cerque-nos o calor

pelo próximo produzido

na festa dos corações

sejamos apaixonados

pelo Amor

pleno da melhor paixão.

Manaus, 03-04-2026











 
 
 

Todo dia ampliam-se, aprofundam-se ou se criam novos sinais da decadência do império norte-americano. Desde que o soba ruivo tentou impor o tarifaço, não se tem testemunhado senão a contínua perda de influência dos Estados Unidos da América do Norte na comunidade internacional. Muito da responsabilidade pela decadência pode justamente ser atribuída ao abrutalhado e autoritário Presidente daquele país. Mas não, toda. O sistema econômico que levou a terra do tio Sam à riqueza e ao poder que ostenta responde, agora, pela derrocada. Donald Trump, assim, pode ser visto como produto do caldo de cultura de uma sociedade que levou às últimas consequências as chamadas leis do mercado. A desigualdade resultante da visão de mundo fundada no egoísmo e na força, é, em si mesma, avessa ao próprio conceito de sociedade. A mão invisível, na verdade não o é. No máximo, seria vesga. Olharia para a árvore, ao invés de contemplar a beleza da floresta. Não faltam exemplos dessa forma perversa de lidar com as questões fundamentais das relações humanas, quando pessoas pobres são condenadas a morrer à porta dos hospitais. Nem quando outras nações constatam a presença de serial-killers matando seus compatrícios, todos imitando o comportamento típico de seus modelos da metrópole. Pior, ainda, quando o Mundo se sente ameaçado pela explosão de uma bomba atômica, porque o império assim parece desejar. Maior a razão do medo, quando ninguém ignora de onde partiu, a quem interessou e quem derramou a carga despejada pelo Enola Gay, na única e perversa experiência que matou em Nagasaki e Hiroshima. Resta lembrar, a esta altura, quanto o desespero pode inspirar a tragédia. Destituído de uma, qualquer que seja, das que se tem como virtude humana, Donald Trump também não ignora o que resultou da destruição das duas cidades japonesas. Ao contrário da maioria dos habitantes do Planeta, sua forma de resolver problemas repousa no delírio que faz da mentira a panaceia para todos os males que sua mente miserável produz e leva à execução.

 
 
 

Significativa a solenidade de entrega de diplomas de Honra ao Mérito, que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o celebrado INPA, realizou na manhã de ontem. Tratou-se, por iniciativa do diretor do Instituto, Professor Henrique Pereira e do coordenador do Bosque, Jorge Lobato, de festejar os 31 anos do Bosque da Ciência, considerado hoje mais que uma dependência da produtiva instituição de ensino e pesquisa. Na verdade, os que conhecem o Bosque, desde suas origens, sabem quanto ele representa, como espaço de divulgação e estímulo ao trabalho de investigação científica, como também um benefício para toda a população. Visitado por moradores da capital amazonense, e turistas oriundos de outras regiões e do estrangeiro, o logradouro é dos mais eloquentes exemplos do trabalho de extensão, de vez que entusiasma e envolve os visitantes. Mais de 2 milhões de visitantes já puderam, nas diversas dependências integradas nos 34 ha da área adjacente à sede do INPA, testemunhar o empenho dos pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento, especialmente com referência aos fenômenos naturais característicos da Amazônia. Evidente que há nítido e importante aporte de subsídios metodológicos e conceituais vinculados às ciências ditas humanas, eis que o primeiro dos projetos levados a efeito pelo Bosque foi o Pequenos Guias do Bosque. O resultado mais efetivo deste, sem dúvida, foi o engajamento das famílias sensíveis às invasões que começavam a ensaiar-se àquela área, na primeira metade dos anos 1990. Delas procediam as primeiras crianças e adolescentes que se tornaram defensores do espaço e contribuintes importantes para a mudança em relação à preservação e defesa da natureza. Ao longo das três últimas décadas, os raros momentos em que os negativistas e os indiferentes às ameaças contra a saúde do Planeta e de seus habitantes tentaram prevalecer, a eles souberam sobrepor-se os que puderam, na manhã de ontem, festejar a existência do Bosque. Autoridades dos poderes públicos, representantes empresariais, intelectuais e profissionais das comunicações receberam, portanto, justa resposta, em memorável solenidade. Certamente, aumentará neles e se multiplicará nos que os ouvirem, a convicção da necessidade de apoio integral e permanente à Ciência e à firme defesa da natureza amazônica. Nada mais que a consequência de serem tidos por meritórias as ações que, deles partidas, tornaram o Bosque da Ciência muito mais que um exemplo de lazer e desfrute. Para os que conhecem as origens, os propósitos e os valores que animam a comunidade científica, sempre estará presente a expressão do doutor Tetsuo Yamane, ao saudar novos membros da Academia Brasileira de Ciências - Ciência e Arte buscam o mesmo resultado, a Beleza! Disse-o o falecido cientista, no mesmo auditório em que o INPA festejou os 31 anos do Bosque.


 
 
 
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