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Remota ou não, sempre haverá a possibilidade de os abrutalhados tornarem-se humanos. Não que a transformação de lobos em cordeiros passe a constituir prática frequente. Pode pesar nessa alteração de caráter e conduta a decisão das autoridades municipais, o prefeito em primeiro lugar. O mínimo de discernimento, o menor grau de humanidade recomendariam exatamente o contrário do que decidiram os parlamentares brasileiros, em relação às chamadas guardas civis municipais. Lá onde falta argumento, logo estarão as armas. Se aquele costuma originar-se no conhecimento, no sentimento e na solidariedade, nestas não se poderão encontrar mais que a ignorância, o autoritarismo e a prepotência. Os números relativos à delinquência praticada por agentes municipais armados, em Manaus, encarrega-se de dar o trágico testemunho. Alcança 356% o número de processos instaurados na Corregedoria do órgão, comparados os registros de 2025 (73 casos), e os de 2024 (16). Antes responsáveis pela segurança e manutenção do patrimônio público, foram os agentes da Guarda Civil (atentem para o adjetivo, por favor) incumbidos de ações paramilitares. É delas e dos valores que as orientam e das práticas que as envolvem, que resulta o triste cenário. Imaginemos, agora, o que se pode esperar de crianças e adolescentes adestrados segundo manuais típicos das organizações castrenses! Oxalá sejamos poupados do esforço de analisar as consequências plausíveis dessa troca de valores e procedimentos correspondentes ao grau de civilização que pensáramos ter alcançado!

 
 
 

Uma das maiores e mais apontadas características do soba norte-americano é a hesitação. Os mais frequentes recuos dele, se por um lado revelam absoluto desrespeito pelos outros, dizem também de sua fragilidade de caráter. Longe de mostrar-se o homem vitorioso que pretende dominar o Mundo, Donald Trump não consegue esconder o fracasso que constitui sua vida. Até aqui, todo o dinheiro e o poder por ele acumulados soçobram ao peso de sua conduta e dos valores que a orientam. Como muitos de seus seguidores, quando a história destes tristes tempos for escrita, ele ocupará numerosas páginas referentes à infâmia e à perversidade. Terá a companhia dos que o têm por líder, não apenas no país que lhe caberia governar. Se soubesse fazê-lo. No Brasil, não faltam cópias de sua conduta hesitante, trate-se de autoridades e lideranças nacionais, trate-se de chefetes regionais. Cada palavra dita, cada promessa formulada, cada decisão anunciada é apenas a véspera do recuo. Não foge a esse lamentável modo de lesar a cidadania, contornar o espaço democrático e enganar o eleitor, o ex-governador do Amazonas. De pés juntos, sem que na cara um só músculo tremesse, ele avisou que cumpriria seu segundo mandato até o último dia. Mas quem pode acreditar em quem compra equipamentos hospitalares em uma loja de vinhos? Ou estaq será uma das muitas façanhas exigentes de um mandato, quando - e se - investigações e ações policiais e judiciárias ocorrerem?

 
 
 

Uma coisa pode ser dita, sem medo de erro: a tentativa de fazer o Brasil retroceder e viver sob uma ditadura não cessou. Ela se tem manifestado nos mais diversos palcos, e em qualquer oportunidade que deixem os seus agentes à vontade para reiterar sua conduta criminosa. Só não se diz surpreendente a forma como os familiares do ex-presidente preso expressam seus maus dotes, porque não há uma só palavra em seu discurso e um só movimento em sua militância golpista, que destoe do roteiro permanente em sua vida. Com várias condições agravantes, seja pelo absoluto desprezo em relação ao povo brasileiro e a crescente subserviência que revelam diante dos que se consideram os donos do Mundo, seja pelos propósitos que parecem cada dia mais lesivos à pátria e aos direitos de seus concidadãos. Se esta não é expressão sujeita a reparos, tão diferentes são os golpistas da maioria dos brasileiros de boa índole. Se, antes, parte da população ainda poderia admitir, por absurdo, um traço que fosse de boas intenções, agora não pode restar mais qualquer dúvida. O que antes poderia ser visto como mera manifestação de retórica esvaziada de conteúdo sério, transformou-se em gesto desesperado, próprio aos que se sentem perturbados pelo fracasso de sua missão. O discurso do amor à pátria, mesmo contraditório às reverências diante dos símbolos e da autoridade-maior de outro país, foi substituído pela promessa solene e clara de exercício consciente da servidão voluntária. Quando o Planeta conclui pelas vantagens comparativas das nações em cujo território existem terras raras, é proclamada em público a intenção de entregá-las a terceiros, um crime em si mesma. Pior, em palanque montado no exterior, e no país cujo governo as tem cobiçado e a experiência mostra sempre seduzido para obter à força o que lhe é negado nas mesas de negociação. Pétain, o agente de Hitler na França, parecerá um aprendiz de traidor, se comparado aos traidores brasileiros em atividade.

 
 
 
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