- Professor Seráfico

- 16 de set.
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Chamava-se frouxo, àquele indivíduo covarde, submisso, sem vontade própria. A palavra mais próxima é covarde. Em geral, inspirados e mobilizados pelos mais abjetos interesses, os frouxos e covardes agem como o bovino em direção ao matadouro. Não há sinal de vida no seu olhar, mas patética manifestação de impotência, desolação, morte. Falta ao frouxo/covarde, portanto, a mínima exigência dentre as que Hannah Arendt relaciona como condição humana. O termo homem, assim, restringe o sentido e o conceito que lhe fora atribuído. Corresponde, já, apenas ao nome dado a uma das espécies animal. Seus correspondentes, segundo a classificação da Ciência, podem ser leão, serpente, elefante, ameba, corvo, melro, camarão, sapo... Essas considerações me ocorrem, quando o Presidente da Câmara dos Deputados, antes humilhado e impedido de sentar na cadeira que por lei lhe é concedida, ostenta (não sei até com que grau de prazer e orgulho), as credenciais que o fazem ilustrar a própria pequenez. Blindagem e anistia, agora, são as palavras que, desviadas da sua essência, emparedam um ser vivo - sem vontade, sonho e Vida. Como não basta assemelhar-se às pessoas, para ser uma delas, o oxigênio não é suficiente para garantir a Vida.
