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Chamava-se frouxo, àquele indivíduo covarde, submisso, sem vontade própria. A palavra mais próxima é covarde. Em geral, inspirados e mobilizados pelos mais abjetos interesses, os frouxos e covardes agem como o bovino em direção ao matadouro. Não há sinal de vida no seu olhar, mas patética manifestação de impotência, desolação, morte. Falta ao frouxo/covarde, portanto, a mínima exigência dentre as que Hannah Arendt relaciona como condição humana. O termo homem, assim, restringe o sentido e o conceito que lhe fora atribuído. Corresponde, já, apenas ao nome dado a uma das espécies animal. Seus correspondentes, segundo a classificação da Ciência, podem ser leão, serpente, elefante, ameba, corvo, melro, camarão, sapo... Essas considerações me ocorrem, quando o Presidente da Câmara dos Deputados, antes humilhado e impedido de sentar na cadeira que por lei lhe é concedida, ostenta (não sei até com que grau de prazer e orgulho), as credenciais que o fazem ilustrar a própria pequenez. Blindagem e anistia, agora, são as palavras que, desviadas da sua essência, emparedam um ser vivo - sem vontade, sonho e Vida. Como não basta assemelhar-se às pessoas, para ser uma delas, o oxigênio não é suficiente para garantir a Vida.

 
 
 

Há quem chame de habilidade. Prefiro usar outra expressão denotadora, sobretudo, das desavergonhadas formas de atuação política. Refiro-me ao PSD de Gilberto Kassab, aqueles - partido e seu dono - com um pé no governo e outro na oposição. O que faz da legenda não mais que um balcão de negócios. O exemplo mais transparente, hoje, é a seção estadual da legenda em Minas Gerais. Rodrigo Pacheco, ex-Presidente do Senado, deseja ser o governador do Estado que no passado nos deu Tiradentes e outros inconfidentes. Kassab, meloso e melado como o conhecemos, convidou um deputado do Novo para as fileiras do PSD. Chama-se Mateus Simões o convidado, ele mesmo desejando ocupar o Palácio da Liberdade. Kassab sabe fazer contas.

 
 
 

O ineditismo do julgamento dos terroristas de 8 de janeiro de 2023 não se esgota na qualificação profissional e política dos réus. É verdade que nunca ocorreu de serem julgadas figuras dos altos escalões, civis e militares, pela prática de crimes reiterados em nossa vida republicana. Esse ponto, no entanto, é apenas um, dos muitos aspectos recheados de conteúdo político e educativo. Se agora já não mais nos envergonhamos diante de outras nações latino-americanas, a Argentina com maior visibilidade, acrescentamos outros traços de ineditismo quase surreal. Refiro-me à abundância de provas produzidas pelos próprios membros da organização criminosa às vésperas de hospedar-se em penitenciárias. Foi tamanho o material comprobatório recolhido pelas autoridades policiais, que os próprios defensores dos réus reclamaram do prazo concedido para sua análise. Esqueceram os causídicos, até, que os prazos são fixados em Lei. Mais, ainda, que estariam, caso admitida a ampliação dos prazos, concorrendo para provocar nos meios onde atuam os marginais de toda categoria, a proliferação de sua criatividade malsã. Também o papel ridículo desempenhado pelo defensor dos réus ad hoc assentado na mais alta corte de Justiça, marcou de ineditismo e contradição a memorável sessão de julgamento. Se algum dos condenados tiver a infelicidade de ser mandado embora para o mesmo lugar onde foram parar cerca de 750.000 infectados pela covid-19, no pleno exercício da atividade que um deles atribuiu característica dos que a ele não se acumpliciaram, e tiver o mesmo fim de Jorge Videla, ninguém se surpreenderá. Mesmo não havendo ineditismo, não é o que desejo.

 
 
 
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