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Quando ignorância e egoísmo se juntam, o filho daí nascido nada acrescenta à paz e à tranquilidade das famílias. Sobretudo, porque os problemas passam a ser apreciados de um ponto de vista limitado, em absurdo exercício do mais tacanho reducionismo. Já não bastou a redução da população brasileira, durante a covid-19, quando mais de 700.000 brasileiros foram mortos, em grande medida, pela ação e omissão do próprio governo federal. O apego ao reducionismo dos egoístas e ignorantes não é limitado apenas à abertura das cancelas, para que o gado possa passar. São frequentes suas agressões ao estado, a não ser quando mantê-lo gera e confere benefícios que os têm como destinatários. Melhor capturar o estado e controlá-lo. Em cenário mais amplo, eles advogam o estado servil à voracidade do seu apetite. Isso não os tem dispensado, todavia, da redução aplicada a outros problemas e outras áreas da sociedade. Mesmo, se contrariando a realidade e afastando experiências anteriores e os efeitos da redução pretendida. A bola da vez é a redução da maioridade penal. Registrada a exagerada população presidiária, a decisão de incriminar, condenar e aprisionar os atuais menores, sem ter melhorado a execução das leis pertinentes, resultará na construção de mais presídios. A educação poderá ceder recursos, enquanto as organizações criminosas aproximarão os jovens que deveriam estar na escola regular, ao alcance dos líderes que cumprem pena. Reduzir a jornada do trabalho, no entanto, é objeto de restrições da mais variada inspiração. Nenhuma delas, menos que indecorosa.

 
 
 

A expressão de Nelson Rodrigues ganha terreno, ao pôr à mostra portadores do complexo de vira-latas. Desta vez, na que um dia se chamou exemplo de democracia, nada menos que o império decadente situado além do Rio Grande. As demonstrações da ignorância, da prepotência e da discriminação que habitam a cabeça do pretenso dono do Mundo, já não chegam a surpreender ninguém. De Donald Trump, o inesperado só virá, se assumir a forma e a expressão de bom senso, equilíbrio e cortesia. Em suma, algo de que ele se mostra absolutamente incapaz de manifestar. Não é de sua índole, nem tem registro em sua trajetória. Até certo ponto surpreendente, é a reação do Presidente da FIFA, o pueril - se não é dizer pouco - Gianni Infantino. A menos que haja alguma ironia na expressão com que reagiu (não sou dono do mundo) à recusa do árbitro

somali em território norte-americano, ele reproduziu conduta adotada pelo Presidente da Ucrânia, Volodmir Zelensky. Antes, dizia-se que os cães largavam, enquanto a caravana passava. Agora, a caravana segue, levando com ela os cães infectados pelo complexo denunciado pelo teatrólogo e jornalista pernambucano. Assim vem sendo feita a vida, como ela é.

 
 
 

Demorará pouco, até que o Brasil decida por revogar em definitivo o caráter laico de nossa república. Se essa vem sendo reivindicação percebida de vários segmentos avessos aos avanços científicos e aos valores humanos mais nobres, agora a mobilização dos setores que a defendem mostra-se cada dia mais vigorosa. No rastro do direitismo que nega a Ciência e estabelece discriminações de toda ordem, tornando a mentira uma outra forma de capital, caminha-se para impor valores religiosos impossíveis de serem cultuados e cultivados por toda a humanidade. Por muitos que têm apenas a aparência humana, sem que suas mentes e corações revelem qualquer compromisso com a superioridade que se diz própria do animal inteligente. Ainda bem que a decisão, ao fim, caberá a cada um de nós e a todos. Para isso servem as eleições. A manifestação mais recente dessa tendência vem de Niterói. Se posta em prática, a proposta autorizará os pais a impedir que seus filhos frequentem aulas, sempre que a abordagem científica dos temas divergir ou contrariar as confissões religiosas a que se filiam. No ESPAÇO ABERTO, está postado texto veiculado pelo Instagram, denunciando mais essa tentativa de tornar a Terra plana e direcionar as próximas gerações a uma teocracia, em absoluta e total agressão à Ciência e à Verdade. Não caberia aqui discorrer sobre as diversas formas de conhecimento, de que o de tipo religioso é exemplar. Interessa, sim, colocar tudo dentro de seu devido lugar, pelo menos para os que creem no livre arbítrio e não se deixam engabelar por propostas e fórmulas agressivas a tudo quanto o esforço dos cientistas e pensadores têm produzido. Talvez aqui esteja o mote mais importante e sugestivo, quando formos escolher os candidatos em quem votar: o uso e a contribuição do conhecimento no equacionamento e resolução de problemas humanos. Ninguém precisará abdicar e sua fé, nem agredir os construtores de um futuro melhor, se agir assim.

 
 
 
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