Ah, essas mulheres!...

O que menos interessa a alguns dos depoentes e de membros da CPI da covid-19 é o esclarecimento dos fatos e a responsabilidade das autoridades. Dos primeiros pode-se dizer terem toda sua atenção e esforço concentrados na autodefesa. Talvez por não terem antes avaliado a quantos riscos leva a subserviência, ou por se imaginarem blindados e infensos a qualquer justa mas eventual consequência, esquecem com facilidade da obrigação com a verdade. Por isso, tergiversam sem a menor cerimônia e obrigam os interrogantes a rigor maior na formulação das perguntas. O depoimento do ex-Secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Weyngarten é ilustrativo. O que disse à revista Veja, por ele mesmo chamada para ouvir o que tinha a dizer, ainda como titular do posto, vinha sendo por ele desmentido, passadas horas de interrogatório. Foi preciso apresentar áudio do canal da própria revista, para refrescar-lhe a memória. Porque na CPI, como em tantas outras ocasiões, mentira e esquecimento têm lá sua valia! Uma senadora, porém, em escassos segundos curou o depoente de sua perda de memória. Evitou, assim, o cumprimento de decisão a que não se poderia furtar o Presidente do órgão investigativo, senador Omar Aziz: determinar a prisão do mentiroso, caso a potência levasse à ação. Weyngarten reconheceu a própria voz e evitou o flagrante legalmente necessário. Enfim, frustrou-se a intenção a tempo, graças sobretudo à intervenção de uma mulher que não integra a Comissão. Resta, portanto íntegra, a atribuição de incompetência do Ministério da Saúde sob Eduardo Pazuello. O que outros senadores escarafunchavam havia horas, a representante da bancada feminina em segundos desvendou. Ah, essas mulheres!...

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