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Dos heróis se tem nutrido

a lixeira da História

máscara de imensa horda

de canalhas

foice ávida escondida

o pior de que há

em toda escória

o fel do ódio

em regozijo

festejando em cantos

de abjeta glória


Mesmo se a morte

de muitos revela

a indigência

seja por falta

de muito norte

ou pouca seja

a inteligência

na escuridão há

de acender-se uma

vela


Se tu

na indiferença pensas

nada fazer porque

(tu o alegas)

não há como

nem tu podes

permite-te

simples assomo

...

expelindo novos

Herodes.



 
 
 

Quisera crer

crer em Papai Noel

ver nas nuvens

enfeite de seu queixo

na cor da roupa

coberta de fuligem

inexplicável

a bordo de charrete

voadora

trazida a paz

embrulhada no papel

impalpável

a esperança

alimento e nutriente

lá onde escasseia

a confiança

onde a comida sempre

falta

o sorriso a substituir

cenho cerrado

saúde muita

disposição para mudar o

mundo

ação como a dizer

assim seja

renas consumindo

ração de horror

de sofrimento

a sugerir a toda hora

todo instante

e momento

um tempo de muito

amor esfuziante

a Vida transformada

em sacramento.






 
 
 

Sarampo varíola

caxumba coqueluche

tétano raiva

febre mesmo se é

amarela

só ela nada melhor que as

previna -

a vacina


Câncer mata menos

seja qual for

o tamanho da mente

assassina

até mesmo a

Aids

suas sequelas

toleráveis

a Ciência nos

ensina


Males prováveis

improváveis

fatais ou incuráveis

pouco a pouco

encontram seu remédio


Nada resiste porém

à estupidez

da ignorância

da desfaçatez

da mentira

do ódio

causticante como

sódio

diluídas em intensa

morbidez

Vida transformada em

morte

rumando sem achar

um norte

erguendo e se postando

em falso pódio

montado em imenso

tédio...

a Vida tomada

sem remédio.






 
 
 
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