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Na terra de Atahualpa, foi onde comprei a peça. Neste caso, dentre centena delas, distribuídas na sala do estabelecimento. Era uma loja em rua conhecida por reunir estabelecimentos que comercializam objetos artesanais. A escolha desta e de outra imagem do cavaleiro criado por Cervantes não foi fácil. Maior o número de alternativas, seja no que for, maior a dificuldade da decisão. O inusitado e a contradição aparente estão na base da minha escolha. O Quixote criado há cinco séculos montado em um veículo inventado não faz tanto tempo assim, pareceu--me muito expressivo. E sugestivo, também: cada qual em seu tempo, ambos - cavaleiro e sua montaria - significam avanço. Nos valores, quando Cervantes escreveu o romance considerado o primeiro no gênero; a bicicleta, na tecnologia. A compra ocorreu em 2019.

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A imagem do cavaleiro da Mancha, desta vez sem seu fiel escudeiro, é feita em cristal de Murano, uma ilha na Itália. Foi adquirida em 2015, na cidade de Barcelona, em local chamado Poble Espanyol, uma espécie de Espanha em miniatura, construída em 1929. Lá, a reprodução do país ibérico serviu de mostruário das diversas regiões espanholas, durante uma feira internacional. Podem-se encontrar ali manifestações artísticas, culturais e gastronômicas em um conjunto de ruelas que seduzem os turistas que as visitam. No caso específico do colecionador, ele quase se perde do seu grupo, por ter perguntado em uma loja de artigos de cristal e vidro sobre o objeto de seu interesse, Alfonso de Quijana. Teve, então, que esperar o vendedor ir até o mezanino da pequena loja, buscar a imagem ora contemplada. Observe-se que Dom Quixote está com a mão direita amputada. Só por isso, a peça não estava exposta. O comprador lembrou-se de que Luiz Vaz de Camões não se tornou menor, porque perdeu um olho em batalha contra os mouros. A criatura de Cervantes não ficaria menor, porque lhe faltasse uma das mãos. O editor comprou-a.

 
 
 

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* Presente do amigo médico Jonas Alfredo Freire Marques, a peça em arame e placas de metal retrata o cavaleiro em versão nordestina. Chamam a atenção a barba tecida em finos fios de arame e os furos simulando olhos, marcantes na expressão sofrida do cavaleiro manchego.

 
 
 
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