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José Alcimar de Oliveira*


Estaríamos, como na Alemanha sob o nazifascismo, a caminho da solução final? Sob o atual padrão, suicidário, de produção e consumo do capitalismo (e nada no horizonte aponta para a sua reversibilidade) a Terra e todas as formas de vida entraram e avançam na fase da

catastrofera. A crença na existência do inferno, antes circunscrita ao plano da religião e ao mundo metafísico da transcendência, migrou do plano da fé e se fez realidade física, imanente e histórica. Inerentes e inseparáveis do mundo capitalista, o colapso ambiental e a barbárie social definem e indicam que o inferno não é tão longe. É aqui mesmo. Para a religião do capital ou para o capitalismo como religião (Walter Benjamin) é ociosa a questão da vida após a morte quando, diante da necrocracia capitalista, o que cabe perguntar é se há vida antes da morte.

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"José Alcimar de Oliveira é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas, onde cursou e concluiu o mestrado e doutorado. É teólogo heterodoxo e sem cátedra, segundo vice-presidente da ADUA, Seção Sindical, e filho orgulhoso do cruzamento dos rios Solimões (Manacapuru – AM) e Jaguaribe (Jaguaruana – CE). Em Manaus, AM, aos 30 de março de 2025.

 
 
 

José Ribamar Bessa Freire

Ele estava morrendo lentamente, lentamente / para ficar um pouco mais

(Tata Juancho. Canción de Jorge Cafrune.1976)


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Vítima da afasia – uma disfunção da linguagem – Zezé entendia o que ouvia e, no início, falava com dificuldade. Com o avanço da doença, emudeceu de vez. Nos papos esporádicos que mantínhamos via zapp, a comunicação dependia do fiel companheiro de quatro décadas, o argentino Jorge Sprovieri, sempre a seu lado. Durante alguns anos, Maria José Lourenço foi morrendo devagarinho, como o Tata Juancho da canção do outro argentino, “El Turco” Jorge Cafrune. Queria ficar um pouquinho mais com a gente?

Foi ficando, ficando, ficou. Por vários anos. Nós também queríamos com ela ficar. Mas em meados de março, em telefonema a Jorginho, a cineasta Tetê Moraes soube que Zezé estava se despedindo da vida, cuja qualidade se tornava cada vez mais limitada. Dez dias depois, sua luz se apagou na casa modesta em Itanhaém (SP). Ela completaria 80 anos em maio. Deixa saudades e inúmeras histórias sobre a resistência ao arbítrio e a luta por justiça social. A dor da perda está salpicada de lembranças, pessoais umas, políticas outras.


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Éramos unha e carne. Com ela convivi diariamente nas salas de aula do Curso de Jornalismo da UFRJ, vínculo que se prolongou ao longo dos anos por vários órgãos da mídia, onde trabalhamos: O Sol, o semanário Poder Jovem, o Jornal de Vanguarda na TV Continental sob a batuta de Ana Arruda e Reynaldo Jardim, além da Agência de Notícias Asapress, O Paiz e Correio da Manhã. Ela tinha invejável facilidade para redigir. Datilografava e o texto já saía prontinho, sem precisar de correção. Ironia do destino para quem teria a fala truncada.  

Militância estudantil

Militamos no movimento estudantil e nas passeatas contra a privatização das universidades públicas – projeto da ditadura. Enfrentamos a repressão. Comungamos as mesmas leituras. Em “Lembranças do exílio” recém-publicado por Terapia Política, ela se diverte contando como eu a atormentei para que lesse “Princípios fundamentais do materialismo histórico”, de Georges Politzer, livro em linguagem simples, quase simplória, mas com o qual eu estava deslumbrado. Era a descoberta, aos 18 anos, de um mundo novo, uma porta aberta para a busca do socialismo.

A cumplicidade entre nós nasceu no dia em que nos conhecemos em março de 1966.  No primeiro dia de aula, o professor Danton Jobim, presidente da ABI, fazia a chamada e pedia a cada um que se apresentasse. Éramos 30 calouros, quase todos da Zona Sul, no meio deles dois nortistas: eu, amazonense recém-chegado de Manaus e ela, da Vila Kosmos, Zona Norte do Rio. Quando ouvi meu nome, respondi em voz alta igual que os outros:

- Presente!

Subitamente, a sala inteira explodiu numa gargalhada espontânea, barulhenta, escandalosa. Todo mundo olhou pra mim. Não entendi qual era a graça. Depois da aula, já na fila do restaurante universitário, com a destimidez e a confiança de um fulano do Amazonas em conversa com uma sicrana do subúrbio carioca, indaguei sobre a razão do riso. Ela respondeu:

- Eles acham que a forma certa de falar é prêsente com o “e” fechado. Quem fala présente com o “e” excessivamente aberto, eles acham que é pau-de-arara. Não liga não.

Não liguei. Os colegas – tudo gente boa – nos elegeriam para a direção do Centro Acadêmico da Escola de Comunicação (ECO). Essa militância estudantil escancarada à luz do dia conviveu com a militância clandestina de ambos no MNR – Movimento Nacionalista Revolucionário, de origem brizolista, constituída por ex-militares expulsos das forças armadas, cuja base de apoio no Rio era formada por estudantes e intelectuais, entre eles o matemático Bayard Demaria Boiteux, professor do Colégio Pedro II, Uerj e Unirio. 


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No MNR

Mas nós dois só entramos no MNR um par de meses após a derrota dos guerrilheiros da Serra do Caparaó, presos em 1967 sem disparar um tiro. Com eles, a organização se comunicava através de Lúcia – codinome da Zezé, que aprendera a embutir, em tubos de creme dental e sabonetes, mensagens levadas nas visitas familiares ao Presídio Frei Caneca, no Rio. Sem citar o nome de Itala Nandi, Zezé conta que aprendeu com a atriz a fotografar e a revelar documentos para enviá-los ao exterior num momento de feroz censura à mídia.  

Censores ocupavam os jornais. Com a grave doença do ditador Costa e Silva, em setembro de 1969, uma junta militar provisória governava o país. A luta da milicada pelo poder se acirrou. A mídia, pisando em ovos, especulava sobre nomes do próximo ditador. Nesse contexto, o chefe de redação do Correio da Manhã, Franklin de Oliveira, determinou que eu viajasse ao Rio Grande do Sul para vasculhar o passado do general Garrastazu Médici e fazer uma matéria sobre ele, avaliando o que era permitido publicar.  

Acompanhado do fotógrafo, fomos até Bagé, berço do Médici. Entrevistei a professora dele na escola primária. Cascateira, elogiou a “genialidade” do aluno. Depois fomos à fazenda do cunhado, um grandalhão simpático, que nos convidou para jantar e dormir lá. Na entrevista ao pé da lareira, tomamos um bom vinho e constatamos certas afinidades, o que era insólito. Perguntei:

- O general declarou que “com as pedras atiradas contra o governo militar, construiria o futuro democrático do país”. Será?

O entrevistado caprichou nos elogios. Mas logo, em silêncio, fez um gesto com o dedo para eu desligar o gravador e, num clima já de confiança, desdisse o que falara:

- Médici é cruel, desumano e bruto, o seu governo vai reprimir, prender, torturar e matar.

Na Convergência Socialista

Retornei ao Rio com a revelação impublicável de que o cunhado do Médici havia apoiado em 1961 a Campanha da Legalidade liderada por Brizola. No aeroporto Santos Dumont, lá estava a Zezé, que me salvou. Contou que a polícia havia invadido meu apartamento na rua do Rezende e me deu o endereço de outro “aparelho” no qual eu devia me esconder imediatamente até tomar o caminho do exílio. Foi o que fiz. Ela também se exilaria no Chile de Allende, mas lá não nos encontramos, pois na sua chegada, eu já havia mudado para o Peru.

No Chile, Zezé e o seu ainda companheiro Jorge Pinheiro romperam com a proposta do foco guerrilheiro do MNR. Ela fundou com alguns militantes o “Ponto de Partida” e se aproximou do PST trotskista de Nahuel Moreno, quando se refugiou na Argentina após o golpe de Pinochet. De lá, ela nos visitou no Peru. Hospedada em minha casa, tivemos tempo para troca de figurinhas, as políticas com “Lúcia” e as afetivas com Zezé.

As figurinhas querençosas: minha “conje” Consuelo estava grávida. A criança que nasceu, registrada como Maria José, dormiu durante um ano no berço em forma de cesta – um moisés – presente de sua madrinha, de quem herdou o nome. Foi uma homenagem a essa “revolucionária gentil” – expressão usada em um artigo pelo historiador e militante Valério Arcary, que andou pelas “esquinas perigosas da História”.

As figurinhas políticas: Zezé, que fundara a Liga Operária, voltava clandestinamente ao Brasil, em plena ditadura, para organizar e dirigir no plano nacional a Convergência Socialista (CS), com ramificações no Amazonas. No meu retorno do exílio, com o professor Rosendo Neto de Lima e uns poucos companheiros, criamos em Manaus, em 1977, uma base da CS, com atuação no movimento dos professores e na oposição sindical dos metalúrgicos.

Zezé presente!

Torna-se sempre complicado contar o passado com o filtro do presente. Mas lembro que em Manaus líamos e discutíamos os artigos da revista Versus lançada em São Paulo no dia do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, entre eles os textos da “revolucionária gentil”, que voltou a militar na imprensa e a defender o internacionalismo proletário, quando foi aberto espaço a questões vinculadas à pauta da Convergência Socialista.

Na clandestinidade, a antiga “Lúcia” do MNR passou a ser agora a “Luíza Maranhão” da CS, cujos militantes atuavam nas fábricas do ABC paulista e organizaram com outras forças as greves operárias que explodiram no final da década de 1970. No plano sindical e político, combateram os pelegos e participaram da construção da CUT e do PT, “um partido sem patrões”.

A repressão não tardou. Os dirigentes do Comitê Central da Convergência foram presos em 1978, entre eles Zezé, que foi levada para a Penitenciária Feminina do Carandiru. Houve manifestações de protesto em várias cidades do Brasil, incluindo os personagens do cartunista Henfil. Para descortinar melhor o horizonte, a Graúna trepou nas costas do Bode Orelana, devorador de livros e do esgalamido Capitão Zeferino, que agachado pergunta:  

- Graúna, você está vendo alguma esperança em 1978?

- Tô. É Maria José Lourenço.

É isso aí. Hoje, a Graúna e nós continuamos vendo a esperança na causa pela qual “Lúcia” e “Luíza Maranhão” lutaram. Quanto à Zezé, ela “se queda todavia un poquito más con nosotros” e permanece viva na antropóloga que herdou seu nome e seus ideais.

- Maria José Lourenço!!!!!

- Presente! Ops, prêsente. Não, é présente mesmo: continuo pau-de-arara, brincando para disfarçar a dor pela perda da amiga amada.

P.S. - Zezé se aposentou como funcionária concursada da Justiça do Estado de São Paulo, depois de ser reconhecida pela Comissão de Anistia como vítima da ditadura militar. Além de inúmeros artigos em jornais e revista, escreveu o livro “Uma estrela chamada Catarina”, no qual a protagonista principal é sua tataravó, escravizada, além de outras mulheres negras e trabalhadoras da sua família.           

Créditos de fotos: Documentário O SOL - Caminhando contra o vento de Tetê Moraes, outras de arquivos pessoais e dos blogs Terapia Política e Opinião Socialista.                                                              

Referências:

1.Maria José Lourenço: Lembranças do exílio. 2011-2012. São Paulo.  Arquivo particular da Zezé, texto encontrado em 22/10/2023. Publicado em Terapia Política. Lembranças do exílio - Terapia Politica

2.Maria José Lourenço: Uma estrela chamada Catarina. São Paulo, s/d.

3. Valério Arcary. Maria José Lourenço, Zezé, uma revolucionária gentil. Publicado em Terapia Politica. 30/03/2025. Maria José Lourenço, Zezé, uma revolucionária gentil - Terapia Politica

4. Direção Nacional do PSTU: O adeus e a homenagem do PSTU à Zezé, fundadora da nossa corrente no Brasil. Opinião Socialista, 24/03/2025

5. Roberto Aguiar. A jornalista militante Zezé, o jornal “O Sol” e a luta contra a ditadura militar. Opinião Socialista. 26/03/2025. https://www.opiniaosocialista.com.br/a-jornalista-militante-zeze-o-jornal-o-sol-e-a-luta-contra-a-ditadura-militar/

6. Gleice Oliveira. Meu coração está cheio de tristeza. Post no Facebook. 24/03/2025 - https://www.facebook.com/share/p/18a1a4Bu4c/

7.Taquiprati – II. Aprendiz de jornalista: sua identidade, por favor. 01/05/2000. https://www.taquiprati.com.br/cronica/337-iiaprendiz-de-jornalista-sua-identidade-por-favor

 



 
 
 

Vitoria Seráfico*


Nasci em 1943. Primeira metade do século XX, como gostava

de dizer meu professor Paulo Mendes. Portanto, sou de uma época em

que a moral e os bons costumes faziam parte do ensinamento dos pais,

no dia-a-dia de seus pimpolhos. Muitas coisas – boas e corretas – nos

eram transmitidas, baseadas não só na palavra, mas nos exemplos de

vida e de convívio dentro das famílias. Além da prática da partilha, da

solidariedade em todos os momentos, os cuidados com a higiene

pessoal, o zelo pela coisa alheia, o respeito às pessoas, quaisquer que

fossem elas – o empregado, o parente, o vizinho, enfim. Como se dizia,

dar as horas também era atestado de boa educação.


Mas o tempo passou, inverno chegou, a barba

cresceu, e as coisas mudaram. Umas, pra melhor; outras, infelizmente,

pra pior.

Por favor; desculpe-me!; com licença!; como vai? e

outras, são expressões que sumiram do nosso cotidiano. Ninguém mais

(ou quase ninguém) as adota. Afinal, o celular não permite esta perda

de tempo.

Como eu digo, se, por um lado, há coisas positivas, por outro,

algumas nem tanto. Porém, como não nos compete julgar, mas sim nos

adaptar ao que vier, sigamos em frente, sem rabugices, viu? Assim, a

vida se torna mais leve pra nós e pros outros. Façamos a nossa parte, e

deixemos que os cães ladrem e a caravana passe. É o que nos resta.

Lembro-me de que, quando eu era menina (ponha

tempo!...), um item absolutamente proibido, inadmissível mesmo,

horroroso, tenebroso, o mais oso que pudesse ser, era perguntar a idade

de uma pessoa. Principalmente de uma mulher! Pobre do homem que

cometesse este terrível pecado! Na hora, era tachado de mal-educado,

grosseirão, sujeito sem classe. Talvez influenciados por este princípio,

há homens que até hoje adotam este (elegante, sem dúvida)

comportamento.


O pior é que esta teoria ganhou cada

vez mais adeptos, e, a partir de então, qualquer mulher – sobretudo as


mais entradas nos anos (como se dizia na casa da vovó) - se sentia

ofendida quando recebia tal pergunta.

Ora pois, pois. Quanta bobagem! No meu entender, a idade das

pessoas é um item como outro qualquer. Faz parte do cardápio da

cidadania. Como é o seu nome? Onde você mora? E assim, por diante.

Idade é dado, sim. E dado dos mais importantes. Por outro lado, o fato

de você ter que dizer a sua (avançada) idade não deve lhe causar

vergonha; antes, ser um motivo de satisfação. Chegar à velhice é um

privilégio. Dos maiores. O maior, talvez.

Pensando com meus botões, arrisco dizer que a tal teoria talvez

responda por um certo, digamos, complexo que a mulher tem, de dizer

a idade. E, em consequência, também pode ter despertado o interesse

pela cirurgia plástica. Pode ser, né?

Se a minha opinião tiver algum fundamento, os cirurgiões

plásticos devem ter julgado magnífica a descoberta. Sim, transformar

um rosto de 50 em outro de 35 é um troféu. Aí, a madame –

envergonhada de declarar suas cinco décadas de vida – com toda

soberba, levantando o nariz, responde, ante a indigesta pergunta:

- tenho 35 anos.

Olha, que beleza, hein?

Chego a pensar que esta teoria também pode ter influenciado o

setor da Moda. “Com cara de 60, não me fica bem uma minissaia. Mas

com uma plástica que me retenha uns 15 anos, talvez dê pra eu

arriscar...”

Por tudo o que vejo, ouço, assisto, observo,

avalio, a respeito, começo a me preocupar: será que sou normal?... ou,

antes, anormal?

Explico: nunca, em fase alguma da minha vida (e olha que já

vivi um bocado!), procurei enganar a idade. A questão idade jamais me

tirou o sono. Muito menos, rugas. Dia algum me pus frente ao espelho,

pra ver se há rugas novas, já fixadas, outras nascendo ... nunca!

Primeiro, porque quero viver muito, morrer bem velhinha; bem

engelhadinha, digo. Logo, o que me cabe? Esperar que as rugas

cheguem. Aliás, pedir que elas cheguem. Nada me interessa sair de

cena antes que elas se instalem. E se ainda não chegaram com a força

que já lhes é permitido chegar (81 aninhos), só tenho a agradecer a

Deus, pela saúde que me oferece, e, principalmente, pela minha alegria

de viver. Viver é bom demais!

Porém, esclareço: não temer as rugas não significa descuidar-se,

deixar a vida nos levar - à la Zeca Pagodinho - como ela entender, bem-

tratada ou maltratada. Nada disso. Na vida, tudo requer bom trato.

Imagine nós, pessoas! Sobretudo, mulher! Daí eu não desprezar – só

quando a preguiça bate – o meu Hypoglós, com creme nívea, já cantado

em prosa e verso por mim, numa crônica. É ele quem segura as pontas.

E, assim, vai dando pra eu enganar os trouxas. Sem diminuir a idade.

Contudo, seria ingenuidade minha pensar que será sempre assim.

Não; sei que o meu dia vai chegar, as pálpebras vão arriar, a boca vai

esgarçar e, a partir daí, um tsunami vai devastar tudo, de vez. . . . E

Vitória Seráfico não será a mesma! Mas, repito, quero morrer bem

engelhadinha. Numa das minhas crônicas, digo que eu gostaria de que,

no meu Atestado de Óbito, fosse registrado: causa-mortis: velhice.

Na verdade, eu até acho que, pra qualquer pessoa (homem

também já está nessa), é bem mais agradável as pessoas não

acreditarem na idade que você revela, por acharem sua aparência mais

jovem do que a idade verdadeira. Estou certa? Péssimo é você dizer que

tem 54, e, por trás das bombas, surgir o comentário maldoso (e,

convenhamos, justo): o quê? Pois ela(e) tem cara de 60!

Certa vez, alguém, debochando de uma senhora que diminuía a

idade, disse no grupo em que se reuniam alguns amigos:

- o quê? Ela só tem isso? Não parece!

Outro do grupo concluiu, despertando gargalhadas:

- sabe o que é? Ela desconta sábados, domingos, feriados e dias

santos.

Então, vamos combinar: viver é bom, envelhecer, também. No

nosso calendário, consideremos todos os 365 (ou 366) dias, sem

estresse, tá?

Mas, queridos amigos(as), pra quem não quer envelhecer só

existe AQUELA alternativa. Vai encarar?

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*Vitória Seráfico é formada em Letras/UFPA, cronista, trabalha com artes visuais e escreveu o texto acima este ano - em que a preocupação com o envelhecimento parece ter-se espalhado por todos os continentes, todas as famílias e todas as pessoas, de todas as faixas etárias.

 
 
 
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