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A participação militar nas eleições foi durante muito tempo louvada - e não porque as instituições deixaram a partidarização entrar na caserna. Os serviços prestados por Exército, Marinha e Aeronáutica, na logística envolvida nas eleições sempre mereceu elogios. Muitas vezes foi destacado o ambiente de segurança experimentado pelos eleitores, a ponto de ser a votação chamada de festa da democracia. Isso tudo, antes da campanha de 2018. De lá para cá, muita coisa nos trouxe a ambiente não apenas inseguro, mas assustador. A promoção, o estímulo e a facilitação à posse, ao porte e ao uso de armas criou no País multidão armada muito maior do que o contingente de nossas forças armadas oficiais. Com uma agravante mais terrível ainda: a de reduzir o papel das forças do Estado no controle das armas. Exemplo do risco a que a criação de grupos armados não-oficiais nos trouxe tem nos fatos a que se liga Roberto Jefferson sua mais ostensiva prova. Ou seja, as forças armadas nacionais estão sendo confrontadas por verdadeira corja armada, à moda das milícias criadas em outros países, de que os Tonton Macoute de François Duvalier dão cabal atestado. Isso obriga os comandantes militares a deixar claras as diferenças entre os que contam com o patrocínio e a preferência do seu multiplicador e suas próprias organizações, patrocinadas pela Constituição Federal. Dilema fácil de deslindar num Estado Democrático de Direito. Não é que se negue a cidadania aos militares. O fato de que, quando em atividade, são detentores das armas destinadas à defesa do território nacional e de quem o habita, torna-os sujeitos a deveres cujo cumprimento não pode ser exigido de outros servidores públicos. Tudo, de acordo com as determinações constitucionais. Quando o militar deseja exercer mandato popular, nada mais justo e sábio do que ser afastado da caserna, para disputar como cidadão o voto do eleitorado. A sabedoria dessa condição é revelada por dispositivo legal que impede até o uso do título militar, pelo egresso das forças armadas, quando envolvido na disputa eleitoral. Dos mais respeitáveis representantes da comunidade castrense têm dito quanto mal faz às forças armadas, sempre que a política passa pelo portão das armas. Começa a desmoronar aí a hierarquia. Chegamos a um ponto tão grave, porém, que se faz exigível cabal e contundente manifestação das lideranças militares, para desfazer a má impressão da sociedade brasileira, quanto à sua condição específica, como servidores públicos diferenciados. Enquanto esse esclarecimento não for dado à população, a mais infundada suspeita sobre o assunto será legitimada. Não imagino a quem isso pode interessar.

 
 
 

O portal Amazônia Real publica hoje interessante reportagem de Erika Morhy, um dia após o governador Wilson Lima ter fugido ao debate transmitido pela Rede Amazônica, afiliada à Globo. Profissionais residentes em Manaus, conhecidos pela dedicação ao estudo da região, analisam a disputa do segundo turno, em que a decisão dos eleitores dirige-se à Presidência da República e ao governo do Estado do Amazonas. O cientista Philip Fearnside do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia se tem dedicado à defesa da maior floresta tropical, reconhecida a importância dela no clima do Planeta. O problema se torna mais atual, ainda, quando as políticas ambientais de alguma forma preocupadas com, pelo menos, a exploração dos recursos naturais da região são objeto de permanente hostilidade do (des)governo federal. Reiteradas práticas de desmatamento se tornam mais ameaçadoras, quando vêm do poder público do Estado facilidades para a reconstrução da BR-319, à margem dos cuidados que a ciência recomenda, em defesa do ecossistema ambiente e das populações que nele moram. O pesquisador Jersem Orelana, da Fundação Oswaldo Cruz- Instituto Maria e Leônidas Deane, lembra o impacto da covid-19 sobre a Amazônia, quando a capital amazonense foi transformada no epicentro da pandemia. Para isso concorreram a ação e a omissão do governo, tanto o federal quanto o estadual. As alegações das autoridades não se têm dirigido mais que ao aplauso e à adesão às ações que resultam em prejuízos de toda ordem, seja quanto ao ambiente físico, quando à sociedade. André Baniwa, liderança indígena e professor, destaca os efeitos das políticas destrutivas que têm tornado infernal também a vida das populações do interior, especialmente os descendentes dos habitantes originais. Os cuidados com a saúde e a educação dos povos indígenas são postergados, quando não simplesmente levados ao desmonte e à deterioração das condições em que são prestados, quando o são. Já o sociólogo Marcelo Seráfico, da Universidade Federal do Amazonas, estabelece oportuno nexo entre as duas esferas de governo, destacando as diferenças entre o tratamento dispensado pelos governos anteriores de Lula e o atual, no que se refere à preservação de modos de vida capazes de promover melhorias econômicas e sociais a altura não só das necessidades das populações da área, como a maior participação destas nos resultados cuja apropriação fica restrita a ínfima minoria dos envolvidos nos processos produtivos, especialmente os do topo da pirâmide econômico-social. É isso o que reivindica o cientista social, um dos membros da tripulação deste blog, há muito dedicado à compreensão e intepretação dos fenômenos de sua área de estudo. Particularmente quanto à zona franca, Marcelo chama a atenção para a conduta dos agentes econômicos interessados, postos à mercê de decisões que desconsideram seus próprios interesses, mais ainda o dos trabalhadores. O grau em que os benefícios do projeto são distribuídos não podem seguir tento o mesmo tratamento que tem experimentado nos últimos anos.

 
 
 


O máximo que vi a fotografia captar, antes dos avanços da tecnologia eletrônica, foi a aura das pessoas. Conheço um estudioso dos fenômenos metafísicos que logrou captar a aura de um grupo de pessoas, em experiência de alguma forma inspirada nas lições de Denizard Rivail. Ninguém menos que o filósofo e professor Alan Kardec. O cientista que captou aura, físico e também professor, trabalhou até aposentar-se na Universidade Federal do Amazonas. Foi durante esse período que ele colheu a imagem da energia das pessoas reunidas. Morando em Natal-RN desde que se aposentou, Carlos Alberto Tinoco jamais suspeitaria da incipiência de seus conhecimentos, diante da surrealidade introduzida na sociedade brasileira. Sua experiência pioneira é café pequeno, não em relação apenas ao Fotoshop. Será diminuído o valor do trabalho do físico potiguar, em especial porque usou métodos científicos, conduta varrida da vida oficial do País. Outro conceito sua pesquisa merecerá, se comparada às imagens que mostram o presidiário Roberto Jefferson, condenado devolvido do bem-bom da prisão domiciliar para a Penitenciária de Bangu. Nas fotos, várias, o delinquente confraterniza com o Presidente da República, que garante nunca ter estado com ele. Milagres da tecnologia parecem acontecer mais do que se pensa. Uma só coisa aproxima os dois feitos - a captação da energia emanada das pessoas com quem Tinoco se encontrou é a mesma que outro captores usam para assassinar a verdade e desmentir o que as fotografias e gravações de áudio eletrônicas atestam. Um pedaço a mais da surrealidade em que vivemos. Como o dia das bruxas (importadas, diga-se) está próximo e enseja comemorações, alguns tentam comemorá-las apagando do mapa pessoas, encontros e tudo quanto traga o cheiro indesejado da Verdade. Pelos que só admitem a luz vinda das fogueiras onde se queimam livros e gente. Isso, se as armas tão amadas deixarem espaço.


 
 
 
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