- Professor Seráfico

- 14 de nov. de 2022
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Precisamos nos dar conta das farsas a que somos levados, às vezes por pura desatenção. Outras, menos frequentes eu gostaria de dizer com convicção, inspiradas pelos piores sentimentos, valores, interesses e práticas. Por isso, mesmo que se tenham passado três décadas, somos confrontados com situações que nos esforçamos por superar neste período. Quem imaginaria que, depois da Constituição dita cidadã pelo deputado Ulysses Guimarães, nos veríamos diante de novo processo de redemocratização? Pois não é outra a situação enfrentada, desde 2016. A derrubada da Presidente Dilma Rousseff, o abrir de porteiras que deixou passar bois e outros animais, trouxe-nos de volta os riscos de ingressarmos em novo período autoritário. Pior, conquistou certos setores da sociedade, na mais odiosa e criminosa campanha que não poupou qualquer classe social. Mesmo os endinheirados, que construíram fortuna graças aos cofres públicos e ao suor, quando não o sangue, dos trabalhadores, não se percebem em risco. Já nem falo do que se diz, a respeito da pessoa, avessa à política e indiferente, que ao fim e ao cabo acabou não tendo quem a defendesse, quando os algozes chegaram. Tudo lhe era desimportante, enquanto não fosse ela mesma o alvo do ódio dos governantes ou ocupantes do território por ela habitado. Isolou-se e teve o mesmo destino dado às vítimas anteriores. Se levarmos esse comentário pelo caminho da Economia, fica fácil constatar quanto o processo de extraordinária acumulação e concentração da riqueza tem poucas chances de resolver qualquer dos problemas com que convive a maioria da população. O desprezo pela fatia mais pobre, que a condena à fome e, no final, à morte pela desnutrição ou a aquisição de doenças preveníveis é apenas uma das facetas tão bem manejadas pelas elites brasileiras. Sempre será preferível a elas manter a dependência a que a fome obriga crescente massa populacional. Com a abjeta vantagem de demonstrarem generosidade e caridade que não é se não a forma de perversidade mais sofisticada que se conhece. A classe média, de quem se recolhem os impostos destinados à prática malsã indicada, cada dia também se vê punida com a perda do poder aquisitivo. Tudo, para manter a brutal desigualdade social e econômica, como se isso tivesse algum mérito ou o menor grau de humanitarismo. É disso que devemos todos tratar, sob pena de, não demorará muito, chegar o dia em que fábricas terão que fechar, porque não haverá quem compre o que elas produzem. Talvez os livros Diário, Caixa e Razão devessem ser acrescidos nas estantes dos endinheirados, com alguns poucos livros de História.
