- Professor Seráfico

- 29 de nov. de 2022
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Têm aumentado as críticas à forma como a grande imprensa noticia os fatos. À parte a análise e interpretação oferecidas por profissionais das diferentes especialidades, encontram-se matérias que prejudicam o serviço a ser prestado ao público leitor – as informações, fiéis espera-se sempre, à realidade. Não tem sido assim. Quem perde é o leitor, uma vez que a informação chegada já traz carga ideológica ou preconceituosa que acaba por exercer influência sobre o leitor. Dei-me conta disso com maior clareza, agora, e não por alguma razão de ordem mais profunda. O fato tem a ver com o comportamento do jogador Neymar, a meu juízo um péssimo cidadão, por melhor que seja seu futebol. Os que só o veem como atleta e dispensam algumas das poucas virtudes que todo homem tem dentro de si, pouco caso fazem disso. Talvez se deixem influenciar pela rede de marketing que sustenta a imagem dele, mesmo depois de se saber que não são louváveis as relações por ele mantidas com o Fisco Nacional. Isso me faz lembrar de um dos melhores jogadores do futebol brasileiro, Zico. Excepcional no seu mister, o jogador do Flamengo também tinha seus dias aziagos. Quando a bola se recusava à alegre e apreciável cumplicidade com os seus pés. Perder pênalti, dar passes errados, aplicar algumas botinadas nos adversários, irritar-se, tudo isso aconteceu com ele, em sua brilhante trajetória desportiva. Assisti a alguns desses maus momentos, diluídos em outros de enorme brilho e inquestionável habilidade que Zico ostentava. Não mudava o tom do noticiário, porém, mesmo se o dia anterior se inscrevia dentre os piores do exercício profissional do Galinho de Quintino. Parecia haver certa máquina de propaganda em franca e livre operação dentro das redações. Quantas foram as vezes em que saí do Maracanã frustrado, porque esperava uma coisa e vira outra. O mau jornalismo a serviço da mentira e todas as distorções que isso determina. Não é outra a conduta de grande parte dos media brasileiros, em relação a Neymar. Como se, dentro das redações, houvesse uma blindagem a qualquer notícia que não satisfizesse o ego de uma criança mimada que não conseguiu se fazer adulto. A ausência desse atleta nos jogos da seleção, que para muitos dos seus incensadores parece decretar a desclassificação da seleção brasileira, no meu entendimento é propícia a resultado contrário. Durante todo o primeiro tempo do jogo contra a Sérvia, ele não chegou a justificar sua escalação. O noticiário do dia seguinte tentou passar a ideia de que ele teve desempenho excepcional. Raros os comentaristas que destoaram do estribilho. No entanto, a pintura produzida por Charlison ficou em segundo plano. Ninguém sequer cogita das consequências do extremado individualismo de Neymar e o que isso pode causar à integração da equipe. No entanto, têm sido vários e multiplicados os momentos em que ele põe à mostra o potencial desagregador, em todo caso prejudicial ao trabalho em grupo. Em todo caso, não há como ignorar a importância de relacionar esse endeusamento imbecil com o chamado mercado. Aqui, o que conta é quanto em moeda se pode ganhar. Afinal, o futebol é o melhor exemplo de globalização que se pode dar: é negócio que enriquece a multinacional chamada FIFA e os que à sombra dela, em estádios ou fora deles, no gramado na maior parte do tempo, fazem fortuna.
