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Quantos serão os mortos?

Onde explodirá a próxima bomba?

Quando?


Quantos se juntarão às centenas

de milhares

o vírus armado de natural letalidade

cumprindo parte da tarefa

a que outros (vírus ou vermes?) emprestaram

oportuno e decidido serviço


Não bastou!

Missão ainda não cumprida

mais longa seja

expandir o infortúnio

desassossegar as gentes

cortar-lhes a esperança

na raiz

sem um só canto

rincão plaga ou deserto

triste sina

a que se votam

alma pequena

por acaso havendo

em todo caso

trágico destino

do infeliz.


Se inexiste ou é frágil

a consciência

recusem-se a fatuidade

e a contestável verdade da

Ciência!


Se à cabeça oca

perturba o menor

conhecimento

melhor estender ignorância

tornar certos nos outros

a dor e o

sofrimento


Quanto mais se cante

no escuro

insistente ainda que

bruxuleante

será mais viva

a vela da esperança


Da resistência ao ódio

do amor bem cultivado

espírito fraterno a

lançar pontes

serão queimadas

trágicas barcas

a serviço de Caronte


Então

haverá dança

muito canto

em gritos de alegria

fazendo rimar esperança

com democracia


Manaus, 26.12.22




 
 
 

Entendo a verdadeira ginástica mental dos eleitos para compor sua equipes. Sobretudo quando a vitória eleitoral resulta da cuidadosa formação de uma frente em que se misturam todas as cores do arco-íris partidário. Deixo até de lado o fato de que a defesa da democracia, se é para valer, dispensa a exigência do pagamento sob a forma de um Ministério. Sem esse tipo de concessão, como chegar à tal governabilidade de que todos falam, embora a grande maioria em defesa de seus próprios - e nem sempre louváveis - interesses? Penso não ser diferente em qualquer outra nação, mesmo naquelas em que o parlamentarismo torna mais palatáveis as relações entre Executivo e Legislativo. Os esforços de Lula para integrar Simone Tebet à sua equipe dizem bem das dificuldades. Da parte do Tripresidente, o desejo de retribuir a adesão e intensa participação da ex-candidata concorrente, na campanha vitoriosa no segundo turno. As proclamações que a fizeram diferente de Ciro Gomes, por exemplo, deram à ex-senadora de Mato Grosso do Sul relevância política no cenário nacional. Escrevo quando se tem como certa a nomeação de Simone para o Ministério do Planejamento. Acompanhei o noticiário sobre a caminhada de Lula e de seus mais próximos assessores, até à aceitação do posto. O que só fez aumentar a especulação sobre os dissabores que ameaçam perturbar o terceiro mandato de Lula. Na mesma equipe por ele constituída são contados, pelo menos, três presidenciáveis - Fernando Haddad, Simone Tebet e o vice-Presidente Geraldo Alckmin. Este, cuja atração para a chapa do antigo adversário ilustra a genialidade política de Lula, por certo tudo fará para chegar à cabeça da chapa de 2026. Os dois outros já concorreram ao mesmo posto, havendo os que preveem a reiteração da escolha de Haddad para substituir o Tripresidente, na próxima eleição. Tebet mostrou talento político apreciável, e ninguém garante que estaria fora do segundo turno, se sua campanha não demorasse tanto a consolidar-se. Hoje, não é leviano dizer que ela tem aspirações e argumentos a sustentá-las. A demora em aceitar a pasta do Planejamento pode ser tida como fruto de sua sensibilidade política. Fora do governo, ela tenderia a isolar-se e ser isolada. Ocupando Ministério que não seria sua primeira opção, tem a oportunidade de revelar-se ainda mais talentosa e capaz de fazer de atividades instrumentais um caminho tão eficaz quanto a presença nos chamados setores ligados aos projetos e benefícios sociais. Fazer do limão a limonada. O protagonismo, portanto, é o que ocupará Simone Tebet, nos próximos quatro anos. Se os enciumados do PT não a excluírem no meio do caminho. No qual ela haverá de frequentemente lembrar-se de Drummond. As pedras não serão poucas.

 
 
 

Sejamos sinceros: o frustrado atentado terrorista do último domingo tinha tudo para ser previsto. Não apenas porque este tem sido expediente de que se utilizam os derrotados nas urnas, hoje como ontem. Nem agora se testemunha pela primeira vez a tentativa de impedir que a vontade de 60 milhões de brasileiros prevaleça. Além dos exemplos indicados em nota postada neste blog (Não é o primeiro, Na Onda, 26-12-2022), as rebeliões de Jacareacanga e Aragarças revelam a tendência e a tradição golpistas de partes das forças armadas brasileiras. Àquela época, segunda metade dos anos 1950, na impossibilidade de impedir a posse de Juscelino Kubitscheck de Oliveira, como pregava Carlos Frederico Werneck de Lacerda, oficiais da Aeronáutica roubaram aviões e se instalaram nos ermos amazônicos. O mínimo que se poderia esperar dos órgãos da segurança pública, individual e coletiva, é que tivessem aprendido a lição que lhes deu o general Henrique Duffles Teixeira Lott. Graças a ele, o escolhido pelos eleitores foi empossado e as duas rebeliões posteriores sufocadas. Tais fatos, perdidos em passado de que a grande maioria dos brasileiros sequer tem conhecimento, não se repetem. Não é de uma farsa que se trata, portanto. O traço mais diferente dos dois momentos diz respeito à origem e inspiração do terrorismo atual, emanado do mais ato centro de poder. Já não se perquire mais a respeito da intimidade dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto com grupos civis armados, à força do estímulo, da promoção de facilidades para o armamento da população civil e dos grupos delinquentes constituídos em Estado paralelo. Os aplausos à conduta criminosa desses grupos estão registrados, sendo que a recente concessão de indulto aos chacinadores da penitenciária do Carandiru é demasiado ilustrativa. No entanto, dizem-se em pleno funcionamento os órgãos encarregados de zelar pela segurança, civis e militares, em todos os níveis. Desde o Gabinete de Segurança Institucional até a delegacia de polícia de bairro, montanhas de dinheiro têm garantido a aquisição de equipamentos modernos, capazes de facilitar a execução das tarefas constitucionalmente determinadas. Nem por isso, muitas dessas instâncias se têm desviado de suas legítimas funções, não sendo rara a ocorrência dos crimes que deveriam prevenir e combater com a direta participação de membros dessas corporações. As razões por que isso se fez realidade, a rigor, não vem merecendo a atenção que a sociedade tem o direito de exigir das autoridades respectivas. A ocupação de áreas consideradas de segurança nacional, então, fez dessas áreas território onde se instalaram o que os futuros Ministros da Justiça (Flávio Dino) e das Relações Institucionais (Alexandre Padilha) chamam com propriedade incubadoras de terroristas. Atribuir qualificativo para a forma como os fatos vêm sendo encarados pelos atuais responsáveis tanto pode chamar-se incompetência profissional como inapetência. Em qualquer das hipóteses, os resultados não podem fugir à rigorosa responsabilização dos dirigentes desses órgãos, cuja leniência (ou cumplicidade?) há de receber as penas cabíveis, ultimado o devido processo legal.

 
 
 
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