top of page

Seria exagero dizer que o governo Lula acabou. Ainda há muitas cartas a serem jogadas, até outubro. É visível, porém, o desgaste sofrido pelo governo, desta vez levando risco à imagem do Presidente. Várias têm sido as interpretações da perda de popularidade do ex-líder operário. Diversas em seu propósito, nelas cabe todo tipo de visão do Mundo e de interesses envolvidos. Há desde os que atribuem o declínio da popularidade ao abandono, pelo PT, das teses que fizeram de Lula o maior líder operário do Brasil, quanto aqueles que colocam nas práticas criminosas de que se utilizam os atuais opositores dele. Alguns arriscam colocar em pauta supostos sinais de que o Presidente enfrenta inicial processo de demência. Não descarto nenhuma dessas hipóteses, como não acolho com entusiasmo (nem mesmo, com adesão), a sugestão de que, sozinha, alguma delas explique a situação declinante da popularidade do Presidente brasileiro. Quanto ao abandono das teses fundadoras do Partido dos Trabalhadores, penso haver pesadas razões para admiti-lo como uma, dentre tantas outras causas. Tal circunstância, porém, é justificável, diante da impossibilidade de passar ao largo de aspectos que têm marcado a vida política nacional. Um desses aspectos diz respeito à vocação (talvez marcada no DNA de muitos agentes políticos e econômicos) herdada de longos períodos de nossa história. Ainda prevalece a percepção do estado como provedor de todas as necessidades da população, misturada com os interesses dos que o capturaram e se pensam proprietários. O velho patrimonialismo, a que se junta o velho coronelismo da primeira república, só que vestido de paletó e gravata. A modernização que se vê no traje não altera na substância a percepção do estado, nem deixa apreender as mudanças sociais ocorridas ao longo do tempo, antes mesmo da Revolução de 30. Assim, as duas derrotas mais recentes do governo no Congresso, dependendo da forma como serão respondidas, pode levar a outros revezes. Aí, então, poderá chegar o momento em que o governo desaparecerá, frágil para opor-se ao caos desejado pelos que têm sempre os olhos cúpidos postos na direção do patrimônio público. Desgosta-me profundamente dizer assim, mas não era isso que esperávamos, ao defender a redemocratização do País. Mesmo assim, sempre valerá a pena lutar pela democracia e evitar apenas repetir o que os inimigos do povo vêm fazendo. Respostas firmes e rigorosas é o de que precisamos. Mesmo que as ameaças de impeachment, a começar pelo dos membros do Poder Judiciário, continuem sendo usadas como espada de Dâmocles. Melhor perder o cargo que perder a cabeça em desvarios e tolerância que namora com a cumplicidade.

 
 
 

Atualizado: 1 de mai.

O pastor luterano Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), antes apoiador de Adolph Hitler, foi preso e morto pelo nazismo. Mais de 80 anos de sua morte, circula pelas redes um depoimento oportuno e instigador dele, um dos fundadores da seita dos Confessantes. Nele, o religioso alemão traça a diferença entre a maldade e a estupidez, mostrando em que consiste uma e outra. Contendo ilustrações mais que pertinentes, esclarecedoras e impactantes, a despeito de sua extrema - e, talvez por isso - simplicidade. A maldade, menos que a estupidez, está na índole dos que fazem, conscientemente, as guerras. Não são tão numerosos, entretanto, quanto os estúpidos. As guerras desejadas, estimuladas e determinadas pelos espíritos belicosos só triunfam onde multidões lhes dão apoio. A rejeição aos maus, todavia, seria a única forma de impedir o conflito bélico, paralisar a ação malfazeja dos que ganham com a morte de seres humanos. Tantos outros luteranos, como o saudoso cientista Warwick Estevam Kerr, aproximavam-se ou se aproximan do pensamento do fundador da denominação Confessantes. Outros, distantes de Luthero, têm outra percepção - de Deus e dos homens. Daí, entregam-se à inglória tarefa de construir a desigualdade e, com ela, a condenação à morte de multidões, em todos os continentes. O egoísmo por eles ostentado se expressa na opressão, na guerra e na fome, como se sabe, responsáveis pela morte de milhões, mundo afora.

 
 
 

As eleições presidenciais deste ano, se na maioria dos aspectos, dão margem a cenas e pronunciamentos iguais aos que temos há décadas testemunhado, traz uma novidade. Refiro-me à perniciosa ousadia de alguns candidatos, antes contidos por algum tipo de sentimento que ainda estamos por identificar. Até mesmo declarações e promessas que atentam contra os interesses da Pátria, a esses patriotários já não ocorre mais esconder. Eles o dizem com a maior desfaçatez, sempre de olhos postos nas vantagens de ordem financeira e econômica que os movem. Quando o Mundo se vê conturbado pela ação nefasta e desumana que percorre os continentes, e tem no soba norte-americano sua liderança, os traidores anunciam reverência e submissão a ele. Não é gratuita, portanto, a propaganda que vem sendo feita, no sentido de preparar a opinião pública para apoiar o que se constituirá no maior crime jamais praticado contra os interesses nacionais. Refiro-me, especificamente, à entrega de material estratégico necessário à indústria (bélica, inclusive)norte-americana. As terras raras, de que somos a segunda reserva mundial mais importante, já foram postas no balcão de negócios, a única preocupação e o único objetivo dos vendilhões de nossa riqueza e de nosso povo. Apenas uma das muitas ameaças feitas pela direita brasileira, a submissão aos interesses de outros governantes (às vezes contra a opinião pública de seus próprios súditos) bastaria para reflexão mais profunda dos eleitores sobre em quem votar, em outubro próximo. Essa é uma das vantagens da democracia, que os servos voluntários desejam neutralizar, ainda que à custa da disseminação da mentira e o uso da violência. A lição de outras nações não permite alimentar ilusões e deixar-se levar pelo ódio que alimenta tais lideranças. Patriotas são os que lutam por vencer a desigualdade, não os que a criam, alimentam e desenvolvem, em proveito próprio. Negar o voto a gente dessa estirpe, portanto, é o que devem fazer os que realmente são patriotas e amam o povo de que são parte.

 
 
 
bottom of page