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Ventos e tempestades

Antes, o jornalão dos Mesquita teve que se render à força dos fatos. Como destacou o cientista e compositor Paulo Vanzolini, e imitando o que o autor do Samba Erudito diz sobre Winston Churchill, na Segunda Guerra, o vigor das provas provocou a posição firmada nas páginas do Estadão. Agora, o editorial da Folha de São Paulo fortalece a posição de seus confrades, de resto um clamor que se revigora todo dia. Para isso não têm faltado relatos de ex-companheiros do golpista-mor, todos eles ressabiados pelo abandono a que foram votados, após a traumática experiência com seu mito. Se os círculos militares são mais discretos e contêm o ímpeto que gente como Joyce Halssemann e Karla Zambelli não consegue nem deseja fazer, nem por isso quase diariamente surgem notícias e informações das mais diversas fontes, ratificando o que as milhares de páginas do devido processo legal registram. A despeito da discrição dos réus militares, que não desejam chegar à triste e patética situação do ajudante de ordens do chefão, é do defensor de um dos mais chegados auxiliares do ex-Presidente que vem o que se pode considerar a bala de prata: a alegada intervenção do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, para demover seu então chefe. O quanto bastou para a Ministra Carmen Lúcia indagar sobre o conteúdo da intervenção do ex-Ministro da Defesa. Uma denúncia explícita, certamente resultante do abandono da causa comum aos envolvidos no percurso golpista (ainda recorrente), em favor da salvação do líder e os de sua famiglia. O costume de não carregar feridos tem-lhe custado caro. E a disputa por seu espólio eleitoral ainda porá sol sobre as práticas por ele mesmo estimuladas e praticadas, nos trágicos dias de seu (des)governo. Afinal, o ferido maior acabará por ser recolhido a uma prisão (antes de ter o restante de sua pena cumprida em casa), levando com ele o sentimento de que a terra arrasada que deixou depois de 2022 arrasou com as próprias (más) intenções que têm orientado sua vida. Até os conservadores já se têm convencido disso. Basta serem honestos, para abandonar o barco que naufraga. Sem excluir os que, mesmo não o sendo, veem conveniência em deixar só o ferido que não enxerga ninguém ao seu lado.

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