Prato cheio
- Professor Seráfico

- 28 de mar.
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A delação premiada tornou-se mais conhecida, entre nós, depois que o tenente-coronel Mauro Cid abriu o bico e contou tudo - ou quase? - o que sabia da trama liderada por seu comandante. Este, ninguém menos que o Presidente da República. Se escapou da pena que seus cúmplices e líderes pagam nas prisões ou em confortável apartamento particular, o instituto jurídico de que se valeu ganhou notoriedade. E passou a constar da preocupação de outros delinquentes, em especial daqueles cujo currículo é uma sucessão de delitos. Ter a probabilidade de entregar aos leões a carniça de que se nutrem esses animais, sempre será melhor que ver o sol quadrado. No caso brasileiro, outra função pode ser favorecida por esse expediente do processo penal. Até aqui, a pizza costumeira e preferida não contava com esse forno surpreendente. Não faltam preocupações aos envolvidos no rol de crimes praticados pela Turma, como é chamada a vassalagem reunida em torno do aventureiro Daniel Vorcaro. Também não falta material ou disposição para preparar a saborosa massa, de resto prato sempre à mão dos que habitam as cozinhas políticas e judiciárias. Agora, surge uma novidade no cenário. Qual candidatos ao posto de Cozinheiro-mestre, os advogados de Vorcaro e seus patrocinados começam a articular-se, no que os jornalistas já chamam combo. Nada menos que o alinhamento das delações individuais sob o fio condutor que os fornos tradicionais desconhecem. Uma forma até aqui desconhecida de ordem unida. Na hora do rancho, todos saberemos quanto terá piorado o gosto da pizza em processo de preparação. Quem viver, verá.

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