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UM VILÃO DA GUERRA E DOS CRIMES CONTRA A DEMOCRACIA E A HUMANIDADE

É preciso ter lado. Tenho repetido isso. Sempre estaremos do lado da paz; não só da paz entre nações. Queremos a paz social, sem a injustiça e a miséria que destroem vidas.

Num mundo de profundas desigualdades sociais e de antagonismos de classes é preciso ter lado. Ou você opta pelo poder do opressor ou apoia quem os enfrenta.

Os Estados Unidos representam o terror no mundo. Deixaram 500 mil civis mortos na Síria, criaram uma farsa e destruíram o Iraque, um dia soltaram bombas no Japão e 250 mil homens, mulheres, crianças, idosos viraram cinzas. Para ficar em poucos e nefastos exemplos.

Aqui no nosso continente latinoamericano, os Estados Unidos bancaram golpes de Estado sangrentos e até hoje organizam ataques à democracia, com a chamada guerra híbrida.

Se tem um país responsável pelos dramas da injustiça e pela tristeza das mortes por política no mundo chama-se EUA.

É preciso ter lado.

E o lado não pode ser de quem mantém e enriquece às custas de uma ordem mundial que coloca de um lado países pobres e de outro, países ricos, com total exploração dos países pobres, reproduzindo aquilo que acontece na luta de classes nas nações.

A nova Divisão Internacional do Trabalho só mudou os instrumentos na era digital, mas a estrutura opressiva e desigual continua a mesma.

É preciso sim desafiar o domínio norteamericano. E qualquer um que o faça estará no sentido contrário de uma ordem construída com sangue dos povos de todo o mundo.

O poder dos EUA tem cheiro de sangue dos povos das Américas e da África.

Sou contra a guerra. Mas é bom lembrar que quem sempre ganhou com conflitos armados foram os Estados Unidos, desde a primeira guerra mundial. Não por acaso, sua liquidez financeira foi adquirida com a venda de armas e alimentos para uma Europa destruída. Não tardou para colocar o mundo em crise com o baque de 1929.

Depois da Guerra Fria, a expectativa do mundo era pelo fim da OTAN, braço armado dos Estados Unidos. O que fez o Tio Sam? Transformou a organização em um instrumento expansionista, à procura de insumos e mercado consumidor.

O imperialismo não para.

É bom lembrar mais uma vez que o conflito Rússia/Ucrânia foi causado pelo imperialismo americano, ao tentar manobras para colocar a Ucrânia na OTAN. É provocação demais querer fazer base militar na fronteira da Rússia.

À Rússia, sobrou a alternativa de responder à ofensiva expansionista dos Estados Unidos atacando a Ucrânia, país que tem um governo subserviente ao domínio americano. É lamentável. Muita gente inocente continua morrendo.

Mas é preciso enfrentar a opressão do Tio Sam e inaugurar um movimento que mexa na forma e no conteúdo da ordem mundial vigente. Os EUA e a Europa não podem continuar dizendo ao mundo qual o modelo político e econômico que deve seguir, perenizando a opressão e a exploração.

O mundo não pode continuar sendo um celeiro dos países ricos. Os continentes com maioria de países pobres, vítimas da colonização e do roubo que originou a acumulação do capital, precisam de uma reparação histórica.

Mas isso não vai acontecer na atual ordem. Daí todo desafio e enfrentamento ao imperialismo norte-americano ser um momento para discutir a forma na qual o mundo está estruturado.

Lamento a guerra, mas sei quem faz a guerra e quem dela enriqueceu. Tenho lado. E meu lado nunca será a do opressor.

Luto por uma paz com justiça e não uma paz fincada no horror da miséria e do genocídio.

E para concluir, é bom lembrar que o Brasil não vive na paz. Aqui enfrentamos a guerra do racismo, do preconceito, do feminicídio e do genocídio contra negros e jovens.

Não se constrói a paz sobre a estrutura da injustiça, sobre os crimes contra as mulheres e em cima da profunda desigualdade social.

A paz que queremos e lutamos é a da justiça social, do respeito ao ser humano, da tolerância religiosa e da democracia.

O ataque de Israel e dos EUA ao Irã é a repetição dos horrores que esses dois países promovem no mundo, rasgando o direito internacional, agredindo a soberania das nações e promovendo a matança de civis.

O Estado sionista jogou bomba numa escola de meninas. Matou mais de 150 crianças. É assim que essa corja faz o seu banquete.


Lúcio Carril

Sociólogo

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