De fazendeiros e...indígenas?*
- Professor Seráfico

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*Postado em laranjeiras.news
‘Vanda e suas pautas ou Vanda e seus votos?’ Questionou sociólogo sobre a candidatura de Vanda Witoto, no MDB
Candidata símbolo da luta dos povos originários no estado mais indígena do Brasil, Vanda usa do pragmatismo eleitoral para viabilizar sua possível eleição à Câmara Federal
06/03/2026 às 08h01Atualizada em 06/03/2026 às 10h27
Por: Mencius MeloFonte: Redação
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MANAUS - Vanda Witoto anunciou no último dia 4 de março, sua filiação ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que se originou sob as bênçãos consentidas da ditadura militar no Brasil dos anos 1960. Durante coletiva, Vanda deixou claro que após duas “batidas na trave” sua campanha parte para o tudo ou nada eleitoral. A ordem é vencer ou vencer já que ela naufragou, apesar da expressiva votação, no purismo partidário por duas ocasiões.
Sob as asas de Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), Witoto quer ser a primeira deputada federal indígena do Amazonas. A bandeira é flamulante e seria fulgurante se não fosse o MDB, berço do centro e abrigo do agro para não dizer do ruralismo. O LARANJEIRAS.NEWS conversou com o sociólogo Marcelo Seráfico sobre a guinada de Vanda. “Até que ponto as lideranças do partido receberão Wanda e suas pautas ou apenas Wanda e seus votos?”, ponderou.
Para o sociólogo, a decisão de Vanda Witoto tem duas perspectivas: “Em geral, ao entrarem em partidos da ordem, candidaturas enraizadas em movimentos sociais ampliam suas possibilidades de sucesso eleitoral na mesma medida em que enfraquecem o próprio movimento. Isto por que suas pautas específicas tornam-se subordinadas às do partido. É bom lembrar que o MDB é uma das mais importantes bases parlamentares do agro. A questão a saber, portanto, é se, como e até que ponto as lideranças do partido receberão Wanda e suas pautas ou apenas Wanda e seus votos?”, observou.
Quem quer o quê?
Camaleônico na política nacional, o MDB é um sobrevivente. Cosmético, o partido era um "perfume de democracia" criado para abafar o fedor dos porões da ditadura. Ali se abrigavam quem gostava "um pouco" da repressão autoritária e quem não a suportava, mas, não tinha coragem de pegar em armas contra o regime. Em suas fileiras ruralistas, conservadores e empresários passaram a atuar. E assim o é até hoje. A pergunta é: o que Vanda espera do MDB, e o que o MDB quer de Vanda?
Para Seráfico, a mesa está posta: “A pergunta poderia ser respondida pelas lideranças do MDB e pela própria Vanda. Afinal, o que um espera do outro e vice-versa?”, destacou. “Em princípio, não há sinais de que as questões ambientais e indígenas estejam no centro das preocupações e formulações do MDB. Tampouco há sinais de que Vanda tenha abandonado essas bandeiras e aderido a pautas das quais é crítica. Logo, essa união tem mais a ver com oportunismo eleitoral do que com estratégia político-ideológica de um lado e de outro”, pontuou.
Até quando?
Nos pós - eleição é comum que eleitos e partidos se estranhem e se redescubram no espelho real das ideologias. É uma espécie de “chá revelação” que desfaz paternidades políticas e reescreve novas trajetórias. Para Marcelo Seráfico, a relação entre o sisudo MDB e a versão “Vandinha Paz & Amor” pode durar ou não. Tudo fica a cargo do tempo. “Se a trajetória de Vanda Witoto dentro do MDB será duradoura ou não, dependerá de ajustes surpreendentes, nas perspectivas dela ou do MDB. A política brasileira é repleta de exemplos de metamorfose pessoal e partidária”, finalizou.
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