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Um prestidigitador

Donald Trump, mais que o governante de um estado poderoso e com forte inclinação bélica, já não consegue surpreender ninguém. Exceção feita aos que optam por ignorar - ou fingem faze-lo - sua índole e sua vocação. Tornado célebre por ocupar espaço nos media, não só como anunciante, aproveitou-se da oportunidade que o avanço tecnológico proporciona aos que têm muito na boca e muitíssimo pouco na cabeça. Dirigindo e apresentando um programa de televisão, ele conseguiu inserir-se na onda direitista que varre o mundo, o que acabou por faze-lo Presidente dos Estados Unidos da América do Norte, mesmo sendo aquela pessoa a quem, na anedota conhecida, não se entregaria um relógio para guardar. Porque se tenha mostrado o retrato vivo dos tempos atuais, estendeu sua liderança a outros países, em que governantes cultores dos mesmos (des)valores e adeptos das mesmas práticas maravilham-se com suas grosseiras, tristes e trágicas façanhas. Uma delas, que só surpreende os que, desatentos, não enxergam um palmo adiante do nariz. Desta vez, ele passa por contribuinte e promotor da paz na faixa de Gaza, em contradição com toda sua atuação anterior. Esta, como sabe qualquer cidadão medianamente informado, pô-lo como grande incentivador e apoiador, político e financeiro do genocídio que seu preposto Benjamin Netanyahu executa contra os palestinos. Em outra frente, faz de seu servil escudeiro (uma espécie de Sancho Pança às avessas, de um Dom Quixote falso)o inimigo de Wladimir Putin. Em suma, transforma o território disputado entre Ucrânia e Rússia no terreno em que os maiores interesses em jogo correspondem a seu país e a seus próprios negócios. À custa da morte de ucranianos e mercenários que os dólares fornecidos ajudam a envolver. Tudo isso, para, depois de fulminar todas as tentativas de encerrar o conflito, aparecer como o grande defensor da paz. Em relação a esta, ele nunca fez segredo: deseja ter sua ação nefasta coroada com o Nobel. Mais que o Presidente de uma nação rica e poderosa, ou de um empresário habituado no uso de práticas no mínimo duvidosas, ele é um prestidigitador. Mas não está sozinho, dirão com muita razão os que observam o cenário mundial.


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