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Sinais

Eleições parlamentares ocorrem hoje, no Reino Unido. Os resultados previstos pelos especialistas apontam na direção inversa ao que ocorreu na França. Nesta, o crescimento da extrema direita e, ao mesmo tempo, das esquerdas, desencadeou as mais pessimistas previsões. Hoje, porém, os eleitores britânicos parecem inclinados a eleger acima de 75% das 650 cadeiras do Parlamento do Partido Trabalhista. São 484 as cadeiras a ser conquistadas pelos trabalhistas. Se não é prudente alimentar otimismo exagerado, pelo menos o anúncio permite constatar que sim, um mundo melhor é possível! Os súditos de uma das mais antigas monarquia europeias parecem ter-se dado conta das ameaças que a onda direitista, fanática, negativista, fascista traz para o Mundo. Não se trata apenas de uma resposta aos seus tradicionais rivais do outro lado do canal da Mancha. É um exemplo para o Mundo, cujo rompimento de fronteiras é chamado mundialização, na terra de Flaubert, Napoleão, os Curie e Maria Antonieta. Caso os resultados se revelem como os números apurados antecipam, confirma-se o fracasso do Brexit, que Boris Johnson impôs ao Reino Unido. O clone britânico de Xavier Milei e todos os que rezam pelo roteiro inaugurado por um cabo austríaco nas três primeiras décadas do século XX terão pouco a festejar. O retorno à Idade Média torna-se mais difícil para eles, como para todos os que, dizendo-se conservadores, apenas revelam ignorar a quantas anda o Planeta, a casa de todos nós. Esse é um fato, não mero desejo, sonho ou argumento. A crise climática o diz e a Ciência vem fazendo o que é possível, para adiar, como afirma Airton Krenak, o fim do Mundo. Disse-o Zé Ramalho: já ouvimos os sinais.

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