Daniel, comparsas e leões
- Professor Seráfico

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O Presidente do Comitê Contra a Corrupção do Estado do Amazonas considerou uma afronta à Justiça Eleitoral a rejeição do veto do Presidente da República à lei que praticamente anulou a Lei da Ficha Limpa. O advogado Carlos Santiago, por elegância e comedimento, generosidade também, limitou muito a agressão do Congresso. Na verdade, mais que a Justiça Eleitoral, ludibriada e ofendida está a sociedade brasileira. Ainda que não seja excepcional a decisão de suas excrescências portadoras de mandato popular, elas estão indo longe demais, com o auto-benefício costumeiro. Trabalhando na maioria das vezes em causa própria, suas excrescências não veem qualquer limite à sua atuação malfazeja, tornando-se os destinatários exclusivos das vantagens que deveriam, por dever de ofício, e segundo os ditames constitucionais, beneficiar os cidadãos. O que os congressistas, feitas as reduzidas exceções, têm feito, coloca-nos cada dia mais distantes do que se pode considerar uma nação regida pelas normas de um Estado Democrático de Direito. Dia-pós-dia, as duas cuias do Parlamento dão provas de seu desdém pela população e de absoluto desprezo pelo interesse público. Não se trata, nem se pede aqui, a gratidão de deputados e senadores àqueles que lhes concederam o voto e, assim, lhes atribuíram o mandato que, com tanta desfaçatez exercem. É a nação inteira, tenha votado em quem cada cidadão achou merecedor de seu aplauso e sufrágio, que sofre as consequências das deliberações das duas casas parlamentares. Enquanto os chamados representantes do povo permanecerem nas práticas que parecem já consagradas, pouco se pode esperar quanto à correção dos vícios que maculam o ambiente político e que muito têm assemelhado às greis delinquentes. Observe o leitor que sequer senti a necessidade de mencionar outras ações demeritórias, de que a permissão de que gestores municipais recebam verbas, mesmo se têm pendências resultantes de suspeitas relativas à lisura do gasto do dinheiro público. Parecem instalados no íntimo da maioria dos parlamentares brasileiros os mesmos princípios éticos e morais de que Daniel Vorcaro se mostra o símbolo atual. Se, ontem, o xará histórico do aventureiro tido por banqueiro era devorado nas arenas por leões famintos, é oportuno que os leões de nossa Receita Federal mostre – e use – seus dentes aos assemelhados do comparsa de tantos outros representantes do povo (vixe, vixe, diria Babá Bessa).

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