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Aldo, água e vinho

O ex-Ministro do STF Joaquim Barbosa é anunciado pré-candidato dos democratas cristãos à Presidência. Antes dele, o ex-Ministro da Defesa Aldo Arantes anunciara a intenção de disputar o mesmo posto, representando a sigla, PDC. Nada que constitua, em si mesmo, uma novidade na atual fase do processo político brasileiro. Disputas internas nos partidos são muito conhecidas, valendo lembrar que o Partido dos Trabalhadores, algumas vezes considerado de esquerda, notabilizou-se por manter multiplicidade de correntes internas. Por isso, sempre houve quem, da direção do PT, tomasse o fato como exemplo do ambiente democrático que reinaria em seus arraiais. Muito por conta da salada ideológica que abriga sob a bandeira vermelha estrelada, o PT não conseguiu erguer outra liderança a não ser Luís Inácio Lula da Silva. Este, sagaz e perspicaz, caminha para a conquista de seu quarto mandato presidencial, enquanto as correntes internas continuam sua trajetória, segundo as conveniências e promessas que cada qual antevê, aqui e acolá. O Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul, por exemplo, tem muitíssimo pouco a ver com seu irmão do Amazonas. No entanto, Lula serve de solda ao mosaico nem sempre bem rejuntado que os leva juntos às campanhas eleitorais. Aí, talvez esteja a explicação para a impossibilidade de encontrar um sucessor do ex-metalúrgico, na disputa eleitoral. Há, porém, algo que, mesmo sem ser absolutamente novo, marca a disputa entre Joaquim Barbosa e Aldo Rebelo. Não, não me refiro à fúria acusatória do ex-magistrado, que poderia torná-lo rejeitado pelos que frequentam os ambientes políticos. O cenho sempre cerrado, durante as sessões públicas do STF, e o ímpeto que punha nas palavras não são como a catapora que costuma infectar as crianças. Se esta fica no organismo humano, a cabeça dos homens e seus interesses sempre estão abertos à mudança. O que traz algo de suposta novidade, menos por ineditismo, mas pela história de vida, vem com Aldo Rebelo. Uma das lideranças mais conhecidas do Partido Comunista do Brasil, o PC do B, hoje o ex-Ministro da Defesa tenta representar os cristãos que se dizem democratas. A dúvida sobre as razões que levaram Aldo a essa mudança extravagante repousa em saber se ele, como outros já o fizeram, já esteve em alguma igreja, depois de queimar toda a literatura inspirada por Karl Marx ou seu exemplar do Manifesto Comunista, para ser aceito no partido que um dia foi personificado por Franco Montoro. Água e vinho propiciaram a Jesus Cristo – em nome de quem falam tantos adversários do cristianismo, mesmo os espalhados em várias seitas – o primeiro dos seus milagres. Quais as águas que concorreram para a extraordinária conversão do jornalista?

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