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Shakespeare volta ao palco

Uma das mais conhecidas peças de William Shakespeare, Muito barulho por nada é, também, uma crítica de costumes com alto teor de acidez e, ao mesmo tempo, de ilustração de época e ambientes. O apagão no sistema energético nacional, que causou prejuízos ainda por contabilizar, pode ilustrar o título da obra do chamado bardo de Strattford-upon-Avon. As muitas hipóteses aventadas para explicar o fenômeno, longe de se dirigir à compreensão dele e identificar-lhe as causas, destina-se, sobretudo, a desviar a atenção dos brasileiros, hoje postas nas joias da coroa (chamemos assim, porque não estaremos tão distantes da realidade, pelo menos metaforicamente). Imaginar que uma poderosa empresa estatal, uma vez privatizada se tornaria um modelo de gestão e eficiência é das maiores falácias que se podem admitir. Ainda mais quando as funções dessa empresa ligam-se a aspectos estratégicos, de interesse nacional. Todos sabemos quanto os grupos premiados com esse processo nocivo aos interesses e hostis às necessidades da população reagem à mínima ameaça, real ou fictícia, que lhes passe pela cabeça. Nunca será demais lembrar a participação de instituições dessa espécie, no golpe militar de 1964 e no clima de terror que se estabeleceu no País, durante a ditadura. Afirmar, porém, sem a devida apuração, ter sido esse mais um desses casos, por enquanto parece precipitado, mesmo sem que os antecedentes tornem implausível sua veracidade. O estribilho dos oposicionistas e o empenho dos outros a nada serve, se diante dos brasileiros estão sendo reveladas outras verdades. Aquelas que dizem respeito ao criativo elenco de crimes cometidos pelas autoridades constituídas que até 31 de dezembro desgovernaram a república. Criar confusão, a máxima a que se apegava o apresentador Chacrinha, é mais fácil que a desfazer. Ainda mais quando o esclarecimento abrirá as portas de alguns presídios e suas celas receberão os que têm merecimento para ocupá-las.

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