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Pra lamentar

A tal ponto se deteriorou aquela que é a seara onde mais força deveria ganhar a vontade - coletiva, sobretudo -, a Política, que não deixa cessar o projeto de colocar em falso Olimpo os portadores de mandatos populares. À recorrente tentativa de se fazerem cobertos pela impunidade penal, congressistas brasileiros providenciam a extensão da imunidade, já levada a formas de proteção pessoal que nada têm a ver com o bom e sadio exercício dos mandatos por eles ostentados. Fazendo-se delfins de uma inexistente aristocracia, deputados e senadores cuidam para manter privilégios e favorecimentos inadmissíveis na mais desequilibrada e capenga república. Não bastasse a captura dos cofres onde se guardam os recursos cuja aplicação lhes caberia fiscalizar, os parlamentares sentem-se estimulados a agredir cada minuto mais a moralidade pública, item absolutamente ignorado pelas maioria deles. Em tese responsável pela construção do ordenamento jurídico nacional, sob o pálio de uma Constituição dita cidadã, o Congresso opta por caminhar em caminho próprio para os que vivem na marginalidade. A rigor, não se está diante de um fato surpreendente, tanto têm os parlamentares fugido ao cumprimento - mínimo que seja - dos deveres que lhes impõe a Lei Maior. Mesmo assim, irrita e ofende o eleitor consciente a ousadia - essa qualidade jamais ausente nos maiores canalhas da História - com que criam e operam o fruto de sua Inclinação delinquente. Não seria justo, porém, excluir dos crimes reiterados os que fizeram esses arquitetos do caos chegarem à posição hoje ostentada. Enquanto a síndrome de Estocolmo se inscrever no cenário político nacional, congressistas e seus eleitores continuarão sócios das organizações que tanto mal fazem à nação. Tudo e todos, lamentáveis.

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