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Pela boca

A boca é recepcionista do alimento, quanto o é do remédio e do veneno. Por ela também transitam, no sentido inverso, as palavras e as matérias processadas pelo estômago. Pode ocorrer, também, do produto intestinal tê-la como canal de lançamento ao exterior. Servindo para levar ao outro a palavra de conforto ou o conselho orientador, a boca também serve à confissão. Esta, sempre à espera da recompensa. O perdão pelo mal de que se envergonha e revela o oásis de honra contido no interior do animal humano, ou o arrependimento que, como sabe todo acácio, é pascácio também. Falastrão, bravateiro, arrogante, prepotente, nada disso exclui o Presidente Donald Trump de usar a boca e por ela dar-se a conhecer cada dia mais. Antes, ele afirmara que promove retaliações e agressões, mundo afora, porque pode. Ou seja, reconhece-se o todo e o mais poderoso dos homens e mulheres que habitam o Planeta. Não disse, portanto e porém, nenhuma inverdade. Detentor do arsenal atômico que o faz temido, ao invés de estimado e respeitado, nem mesmo o medo que ele gera em seus contemporâneos é tão assustador quanto outra circunstância. Esta corresponde a um fato que, passados milênios, a sociedade humana jamais esquecerá. Do seu país de nascimento partiram as terríveis bombas que destruíram e tornaram cinza as cidades de Nagasaki e Hiroshima. De lá - e só de lá. Ele é, portanto, mais que poderoso, e sempre, uma terrível ameaça. Ao Planeta e à sua população. Àquela frase (faço porque posso), agora ele acrescenta outra e põe a nu o entendimento que tem do fenômeno político. Percepção, diga-se, absolutamente afastada do pensamento dos filósofos e estudiosos que o entendem como a forma aconselhável de manter o bom relacionamento entre pessoas e nações. Esperar que Trump ao menos leu em alguma página escondida da literatura de sua preferência e devoção, o que um dia disseram Platão, Aristóteles e Montesquieu, seria prova do tamanho da ignorância, também, do incauto observador. Diário Caixa e Razão (planilhas, igualmente) não costumam trazer informações que tais. As páginas impressas e as telas de qualquer geringonça eletrônica, no entanto, admitem mais que o papel admitiria. Daí termos lido, já em dias desta semana, o conceito que Trump faz do exercício da presidência de uma república, não faz muito tempo aceita como um modelo de democracia. Trump -disse-o ele mesmo - faz negócios só com pessoas de quem ele gosta. Ou seja, a Casa Branca não é mais nem menos que a sede provisória de seus negócios. Desta vez, apenas a revelação oral de convicções que os fatos por ele protagonizados sempre foram exemplos vivos e frequentes.

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