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O xadrez internacional

Curiosos, amadores e especialistas chamam a atenção para os riscos sofridos por nossa tão hesitante democracia, como consequência das agressões do Presidente Donald Trump. Se não estamos sozinhos no papel de alvo do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte, essa constatação não basta para consolar-nos, nem fazer que nos deixemos envolver no desespero do pretenso imperador de um império em ruína. O desenho do ambiente em que se processa a fase da História em que estamos entrando é exigente de análise mais abrangente e responsável. A aldeia global em que nos movimentamos autoriza apreensão mais adequada do cenário. Não bastam as impressões resultantes do compreensível desespero de Trump, nem preconceitos e visões denotadoras da servidão voluntária. Em primeiro lugar, em relação à democracia, Estados Unidos da América do Norte e Brasil apresentam diferença fundamental; um empreende a viagem de retorno, enquanto outro (o Brasil) tenta chegar àquele ponto que, com extraordinária dose de injustiça, dissemos um dia ter sido uma democracia. Onde o dinheiro manda e a desigualdade se impõe, falar em democracia é tentar enganar os tolos e tirar proveito de sua pobreza – em dupla face: material e intelectual. É a experiência que o tem dito, não qualquer conceito a priori. As ofensas de Trump à ordem mundial correspondem, portanto, a um esforço de evitar que a ruína chegue ao ponto máximo sob seu governo. Mas ele não é dono da História, e esta raramente demora no favorecimento aos que dela nada entendem. A velocidade impressa na dinâmica social dos nossos dias merece atenção. Não apenas porque tudo que é sólido desmancha-se no ar, mas porque as forças sociais e o processo das relações internacionais derrubaram fronteiras e abriram horizontes antes sequer insuspeitados. Aqui, podemos logo inserir o BRICS, este sim, a grande ameaça ao império decadente. Talvez nos enganemos, quando afirmamos que Donald Trump, uma figura que ninguém bem-intencionado gostaria de ter sequer como vizinho, é um desmiolado. Ao contrário, podemos dizer dele ter bastante lucidez, de que seu desespero é apenas uma tradução. Ele sabe o que a História terá preparado para ele. Se escapar com vida e não tiver a mesma sorte de Lincoln e Kennedy, já sairá com lucro. Suas mais recentes façanhas, além do genocídio dos palestinos, foram os acordos assinados com a Indonésia, o Japão e a Coreia do Sul. Destes dois últimos países, está cobrando a conta iniciada com o New Deal. A Indonésia é dos mais novos membros do BRICS. Será sempre bom ter olhos para ver essas peças no xadrez da política internacional.

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