O parto de Matheus
- Professor Seráfico

- 7 de ago.
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O capitalismo, como toda obra humana, não tem como escapar de suas próprias contradições. Deixando o destino nas mãos invisíveis do mercado, oculta o fato de que tal divindade não é senão o lugar em que a demanda encontra a oferta. Nesse embate, forma-se o preço. Então, tudo e todos, no ambiente do mercado, tem seu preço. Inclusive mandatos, consciência, honra pessoal - e tudo o mais que interesse ao objetivo do sistema, o lucro. Para obtê-lo, importam pouco os valores morais construídos ao longo dos séculos. É a isso que corresponde o ideário pragmático, para o qual importam apenas os fins. Que se danem os meios! Invenção igualmente insidiosa, a livre iniciativa vale, ainda que restrita aos que se beneficiam da produção e da venda dos produtos. A liberdade e a iniciativa dos outros - bem, esse é conteúdo narrado na história da escravização! Tudo isso dito, torna-se absolutamente admissível o que estão fazendo os proprietários de hotéis e residências de Belém do Pará, diante da possibilidade de enriquecimento com a COP30. Eles nada mais fazem do que levar a sério as regras do sistema que alguns apresentam como sinônimo de democracia e liberdade. Os mesmos que lutaram por integrar aos mandamentos constitucionais dispositivos protetores da exploração própria e essencial ao capitalismo, pretendem impedir agora que os poucos capitalistas instalados em Belém pratiquem as recomendações constantes do ideário de todos eles. Quem pariu Matheus que o embale.

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