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O humor (e o amor) do mercado

Repito, talvez pela enésima vez: enquanto a satisfação das necessidades da fração mais pobre da população brasileira não for pelo menos drasticamente reduzida: 1. é proibido propor, discutir ou concorrer para a redução das despesas públicas; 2. é tipificada como crime qualquer decisão que venha a reduzir a despesa em programas, projetos, atividades e ações referentes aos setores de saúde, educação, alimentação, habitação e saneamento; 3. dos que mais têm, em patrimônio mobiliário e títulos monetários o suficiente para incluir-se dentre o 1% mais rico do País, será cobrado, sob a forma de tributo especial, quanto seja necessário para reduzir as desigualdades econômicas e sociais registradas no Brasil. São, portanto, três premissas indispensáveis à equação que conduzirá à justiça social. A primeira sustenta-se na ideia essencial à própria democracia - a maioria prevalecendo sobre a minoria, sem ferir os direitos individuais, mas igualmente destacando o direito de propriedade sujeito às restrições e deveres sociais intocáveis. A segunda diz respeito aos mais ostensivos aspectos da desigualdade com que convivemos. No Brasil ainda há quem morra de fome. Não é desprezível a população que mora nas ruas. Estão de volta enfermidades que eram dadas como erradicadas, em especial as que resultam das más condições de alimentação, saneamento, habitação de enorme percentual da população. Quanto à terceira premissa, tão velha quanto a figura de João Sem Terra, nada mais que restaurar o princípio da justiça tributária. Demasiada, a indiferença do mercado resiste à perda de qualquer centavo, sem sequer perceber (ou, quem sabe, porque percebe muito bem) quanta morte de seres humanos disso resulta. A tentativa de restaurar o conceito de justiça tributária, impondo taxação mais pesada, ainda assim tímida, para as grandes fortunas, esbarrou na maioria do Congresso, não faz muito tempo. Trocando em miúdos: a gula, o egoísmo e a perversidade do mercado levam-no à condição de tutor dos poderes republicanos, com o que falece qualquer laivo de soberania ao conjunto deles, sob a égide da República. A hostilidade à isenção do imposto de renda para os que ganham até R$ 5.000 por mês bastaria para mostrar as más qualidades de nossas elites financeiras. O humor do ser incorpóreo e abjeto chamado mercado corresponde ao tamanho do amor nutrido pelo dinheiro.

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