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O barco e sua carga

5 de abr. de 2025
1 min de leitura

Aumenta o número de analistas, comentaristas, especialistas em Economia que se mostram perplexos com as decisões de Donald Trump. Todos são incapazes de encontrar a lógica dessas decisões, ainda que boa parte deles ache que elas têm um propósito. Geralmente, a hipótese vai na direção dos interesses egoísticos, e nem sempre lícitos, do inquilino da Casa Branca. Talvez alcance o nível da generalização a suspeita de que a América Grande, tão repetida no discurso do Presidente norte-americano entra em choque com o desastre que ele mesmo provoca na economia de seu país. Isso, inclusive, deu razão aos que veem Trump como o personagem de ficção Nikita, mandado da União Soviética para os Estados Unidos da América do Norte. Para esse espião, o american dream consistiria em destruir o capitalismo por dentro. Quando se analisa com mais cuidado a atuação de Trump, não há como excluir certas variáveis aparentemente afastadas das considerações mais frequentemente divulgadas. Uma delas, o reconhecimento, por Trump e as elites de seu país, do processo de desmanche do império mais poderoso da Idade Contemporânea. Outra, a ameaça que o BRICS representa, sobretudo quando traz para a pauta das discussões a criação de uma nova moeda, concorrente do dólar. A Trump, vendo o mundo por ele sonhado desmanchar-se no ar, na terra e na água, como tudo o que é sólido, barco perdido deve ser bem carregado. O maior perigo está no botão detonador da guerra nuclear, ao alcance de suas mãos. Nagasaki e Hiroshima não podem ser esquecidas.

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