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Menos mal

O primeiro anúncio dizia respeito ao financiamento de carros populares. Embora nem um só dos veículos comercializados pudesse ser, sem ironia ou absoluta ignorância, classificado dentro dessa categoria. Uma espécie de ato falho, admissível apenas porque os que ganham menos de três salários mínimos são considerados classe média. Coisas do Brasil! Texto publicado neste mesmo local, logo apontou a decisão como uma das muitas revelações dos contrastes com os quais convivemos. Felizmente, o próprio governo corrigiu seu erro. E encontrou uma explicação apenas razoável para a facilitação da compra de veículos pessoais. Os taxistas e uberistas seriam, também - já não mais só eles - contemplados. Ambos os grupos desses profissionais conduzem passageiros. Um serviço público, alega-se agora. A maior porção do 1,5 bilhão de reais pretende substituir caminhões e ônibus com mais de 20 anos de uso. Esperam-se novas frotas percorrendo as estradas do País e levando mercadorias em tempo menor e em viagens mais seguras. Os veículos substituídos serão obrigatoriamente entregues aos sucateiros. É pagar pra ver. Nas cidades, ônibus menos desconfortáveis e inseguros substituirão as sucatas que, ano-pós-ano, são autorizadas a cobrar tarifa mais alta dos passageiros. Em todo caso, menos mal que os meios de transporte de passageiros e cargas, nas cidades e no interior, tenham ficado com a maior parte da dinheirama. Os olhos e a atenção dos contribuintes, agora, devem voltar-se para o acompanhamento dos novos passos. Não faltarão espertalhões que tentarão o que costumeiramente fazem, seja fraudando licitações, desviando recursos ou simplesmente esquecendo dos deveres contraídos para porem a mão em bom naco do dinheiro público.

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