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Nossas elites

Enquanto o espólio de um é disputado como os abutres disputam a carniça apetitosa, os números da economia são festejados. Curioso é observar quanto a redução da pobreza, o consumo em crescimento e a ocupação quase plena repercutem sobre a reação dos beneficiados. Longe de acompanhar o arejamento que os números sopram na sociedade, o que se observa é a busca de arranjos e alianças destinadas a frustrar os projetos dos que respondem pelos bons resultados. Neste caso, é graças às políticas públicas que o panorama econômico e social se tem alterado. Não obstante, os que disputam o espólio reincidem no negativismo, mesmo diante da crescente percepção de que boa parte dos mais de 700.000 mortos pela covid-19 pode ser debitada à sua conta. Esse é testemunho oferecido pelas pesquisas de preferência eleitoral, cuja frequência aumenta todo dia, como se questões urgentes e inadiáveis já estivessem resolvidas ou, ao menos, devidamente equacionadas. Particularmente quanto à zona franca de Manaus, não houve qualquer outro momento, desde 1967, em que o faturamento e a ocupação dos postos de trabalho fossem tão alvissareiros. É dos que detêm a propriedade do capital lá instalado que escorre a maior parte da dinheirama responsável pela eleição dos chamados representantes do povo. Isso não tem levado, todavia, a qualquer alteração na conduta das lideranças empresariais, reincidentes em práticas condenadas por elas mesmas, segundo o hábito dos políticos que os acumuladores criticam e apontam. Ao contrário, os maiores beneficiários dos avanços parecem condenados eternamente à cumplicidade com os que tratam apenas de obter um mandato em geral lesivo aos interesses do povo. Essa observação, no entanto, vale para todo o Brasil, eis que faz parte do ideário da elite brasileira.

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