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Lula nem precisou inventar inimigos

O editorial do Estado de São Paulo, dia 11, considera ter partido do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte o socorro ao Presidente Lula, na hora em que o ex-metalúrgico amarga crescente impopularidade. Seja qual for a razão do declínio na simpatia do eleitorado brasileiro, o fato é inconteste: o terceiro mandato do petista registra números preocupantes, sobretudo pela quase impossibilidade de encontrar nas hostes do seu PT e dos partidos aliados, alguém que possa ocupar seu lugar, na disputa eleitoral do próximo ano. Não vale a pena repetir que, nesse particular capítulo, muito da culpa pode ser atribuído ao próprio Lula. O que interessa comentar, aqui, é a dubiedade contida no editorial do jornalão paulista. A um só tempo, o texto avalia o tarifaço trumpiano como favorável ao Presidente da República brasileira, e engrossa a voz dos que se opõem – nem sempre com boas e louváveis razões – ao seu governo. O que se poderia dizer, repetindo nossos mais velhos: é uma no cravo, outra na ferradura. Escolher um lado, a propósito, nem sempre é tão fácil como o foi participar ativamente da derrubada do Presidente constitucional João Goulart e apoiar a ditadura que deixou mortos e torturados à farta. Mudaram os tempos, mas não muda de todo a inspiração dos que protestam e reivindicam a liberdade de expressão, mesmo se comprometidos com tudo quanto é nocivo ao ambiente democrático e ao Estado de Direito. Um olho no padre, outro na missa – diriam os praticantes de alguma religião. Pois bem, nem tudo é descartável, no editorial do jornalão dos Mesquita. Dê-se ouvidos e olhos, portanto, à opinião expressa pelo expoente talvez máximo do conservadorismo, quando identifica em outro ponto a fonte de inspiração do Presidente Donald Trump. Se ele tem a pesar em seu escasso senso de oportunidade de justiça a brutalidade e o desprezo pelos valores que se dizem humanos, é certo que também passa por dificuldades que tendem a agravar-se. Afinal, o fim de um império instaura processo de crescente deterioração, a que não escapa quem a História registrará como um dos responsáveis pelo declínio total. De outro lado, o resultado pretendido pelo suposto imperador baterá em porta errada e ainda beneficiará o inimigo pretendido. A impopularidade de governantes que trafegam em rota temerária sempre os leva a aventuras como a guerra das Malvinas, exemplo aqui lembrado pela proximidade geográfica com a Argentina. Como aconteceu com a invasão norte-americana do Iraque, a pretexto de desmantelar o que seria um arsenal de guerra química. Sadan Hussein foi morto, mas nada do que o governo norte-americano denunciou e usou como pretexto foi provado. Aqui, cabe lembrar a conclusão do Estadão: o que interessa a Trump é enfraquecer a liderança de Lula, como atual dirigente rotativo do BRICS, a associação de nações que podem enfraquecer a influência do império decadente na geopolítica mundial. E Lula acabará sendo beneficiário da aventura trumpista. Tudo vai depender do uso que o governo brasileiro fizer da chantagem que, com brutalidade (como sempre!), acicatou os pruridos patrióticos e a contestação dos que sabem discernir entre soberania e submissão.

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