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Lição a aprender

Cícero o disse. Poucos acreditaram. Proporcionalmente, cada dia menos acreditam, comparada a população mundial dos tempos do sábio romano aos turbulentos dias do terceiro milênio já vividos. A História é a mestra da Vida. Nesse caso, há ignorância devida à impossibilidade de acesso às fontes de informação, talvez em quantidade menor que a ignorância cultivada. Informaçào e conhecimento são sobrepujados por interesses, sejam eles quais forem. Por isso, maior a distância dos protagonistas dos conhecimentos que a História oferece, maior a contemplação dos interesses em jogo. Da ágora às redes sociais de agora, o caminho foi longo. Reis foram mortos, reis foram postos. Leis foram criadas, leis foram revogadas. Cabeças rolaram, estátuas foram erguidas. Em todos os momentos, a confecção da História não se interrompeu. Ora para levar a mestra da vida à destinação dita civilizatória, ora para impedir o desfrute da civilização. Pelo menos, para a maioria da sociedade. Enquanto a Ciência encontra resposta para desafios há milênios impostos à sociedade dos humanos, a tecnologia engendra mecanismos capazes de tornar o trabalho quase uma atividade lúdica. Aqui, mais uma vez, impõe-se repetir: para ínfima minoria. A sobrevivência do trabalho escravo diz muito a respeito disso. Não é diferente, porém, o que acontece na Política, aquela atividade que Aristóteles dizia reservada ao animal pretensamente superior. Tivessem as lições da História sido aprendidas, qualquer menção a golpes de Estado não deixaria dúvida. Estaríamos falando de remotíssimo passado. E, ao invés do culto à ignorância, preferiríamos fazer do conhecimento, mais que de reles interesses, a luz que ilumina caminhos. E a todos aproveita. Talvez a Cícero e Aristóteles não faltasse discernimento para entender que Ciência e Tecnologia só se completam e são dignos do respeito humano, se tiverem suas mãos apertadas pela Ética.

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