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Hospitalidade e reconciliação

10 de ago.
2 min de leitura

Editorial do Estadão critica o encontro dos Presidentes da República e do Senado, com o Ministro do STF Alexandre de Moraes. Iniciativa do também Ministro Zanin, a justificativa apresentada para tão estranho bate-papo estaria relacionada a matérias de interesse do Executivo que serão brevemente apreciadas pelo Legislativo. O jornalão bem poderia ter criticado de forma menos comprometida - e com maior autoridade - o jantar, se em episódios semelhantes tivesse trazido à baila os pretextos que à falta de melhores argumentos agora apresenta. Não há qualquer dúvida a respeito de que a escolha dos comensais e as circunstâncias em que se reuniram não terá sido a melhor. Nada, porém, que ao menos passe perto da vergonhosa reunião de 22 de abril de 2019, no Palácio do Planalto. Pelo menos duas intervenções teriam merecido vigorosa condenação, sem que sequer precise lembrar que, na ocasião, o próprio Presidente da República anunciou desejar fazer da Polícia Federal uma guarda pretoriana, a serviço dele e de seus filhos. Outros participantes do nojento convescote palaciano - os Ministros Paulo Guedes e Ricardo Salles - não deram recado destoante do mito a que serviam. O primeiro, ao dizer com todas as letras que os trabalhadores que se...(desacostumado do linguajar palaciano daquele nefasto período, deixo ao leitor a conclusão). O outro Ministro, também sem rodeios, pediu ao então Presidente que aproveitasse a distração dos media - o Estadão, inclusive - e fizesse a boiada passar. É oportuno mencionar as críticas a Lula, pelo apego que tem demonstrado à soberania nacional, diante das agressões e ameaças feitas pelo soba de olhos azuis. Como se tem comportado em relação a isso o jornalão paulista? Pedir que tudo fosse feito às claras, como o desejam todas as pessoas de bem, acaba perdendo força, quando um preceito constitucional - o artigo 3° da chamada Carta Magna - poderia ser invocado. Nele, tenho insistido, estão definidos os objetivos da República Federativa do Brasil. Se for levado a sério, esse dispositivo da Constituição evitaria jantares em circunstâncias como as que cercaram os convidados de Zanin.

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