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A farinha dos deputados

Mais vergonhosa e reveladora está por acontecer. Por enquanto, a proposta do Presidente da Câmara dos Deputados está no topo da pirâmide. Ela consiste na inclusão dos deputados dentre os que podem acumular pensão previdenciária oficial e os vencimentos devidos aos parlamentares. A ideia, contra a qual deve manifestar-se a maioria dos brasileiros, é vergonhosa, pela sordidez de que se reveste. Lá, mesmo, na antigamente chamada Câmara Baixa (baixíssima, caberia melhor), tramita projeto do Executivo que trata da compensação financeira à recusa da maioria relativa à majoração do IOF. Como se sabe, só os beneficiários da desigualdade são atingidos pela proposta, cansativa e prolongadamente discutida com as lideranças parlamentares. A grande maioria mal tem dinheiro para dar conta de suas necessidades primárias. É reveladora, também, a ideia de promover despesas bancadas pelo Erário, quando a maioria dos congressistas verbera contra o que lhe parece inadmissível despesa pública. A explicação e justificativa mais pura é traduzida na sentença farinha pouca, meu pirão primeiro. A resistência do Congresso e a reação do Presidente da Câmara, além de revelarem o apetite voraz daquele grupo de brasileiros, ratificam a condição de refém, exibida pelo Presidente da República, diante de um Poder Legislativo cuja maioria está a serviço, não da sociedade ou, cada um parlamentar, de seus respectivos eleitores. A intervenção e o voto dessa parcela majoritária tem-se empenhado, rotineiramente, em manter, ampliar e aprofundar a desigualdade, em flagrante e agressivo rompimento do que estabelece o artigo 3° da Constituição. Lá é incluída dentre os objetivos a alcançar pelos poderes, a redução da desigualdade, regional e social.

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