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Adiamento

18 de mar.
2 min de leitura

O Mundo não acabará, quando conhecermos - as autoridades policiais e judiciárias, inclusive - o rol dos envolvidos nas falcatruas do aventureiro Daniel Vorcaro. Para não fugir ao hábito, os suspeitos se valem de chantagem conhecidíssima, sempre que vislumbram a hipótese de perder algo, mínimo que seja. Foi assim, quando a escravidão foi formalmente abolida. As elites encontraram um jeito de mantê-la, a Lei Áurea mandada às favas. Tanto, que ainda hoje os pretensos salvadores da pátria ainda admitem o trabalho do escravizado e dele se valem para enriquecer. Quando Getúlio Vargas decretou o salário mínimo, não foi diferente. Notável é constatar que a necessidade de contar com o suor alheio para fazer fortuna foi embalada numa expressão falsamente generosa e benemérita - a criação de empregos. Ou seja, a inversão da verdade. Diga-o a crescente substituição do homem nos postos de trabalho. Robôs e máquinas não têm sentimentos, nem lhes é peculiar a dignidade que só os seres humanos apresentam. Nem todos, mas a exceção sempre há de confirmar a regra. O mesmo aconteceu com a criação do FGTS. Ou seja, sempre que se apresenta alguma dificuldade, os que sempre ganham revelam sua perversidade intrínseca. E sem limites. Pois o anúncio de que Vorcaro porá a boca no trombone começa a incomodar e a desafinar os outros, instrumentos postos a serviço do Master e do seu mestre. Mais uma vez o mundo seguirá sua trajetória, tanto mais digna, quanto mais se desvendar a rede que manteve, até agora, o bom sono do banqueiro desbancado. Logo, logo, ele sentará o banco que, por mérito próprio lhe cabe - o banco dos réus. Que tenha farta e justa companhia. Haja bancos...! E o mundo terá adiado mais uma vez o seu fim,. A não ser que a bomba atômica em que Trump aposta chegue antes.

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