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Habilidade posta em causa

A nem todos, o mesmo termo corresponde ao mesmo significado. Sempre será fácil dizer se o tempo está limpo, ou, ao contrário, se faz escuro. Em muitas situações concretas, fatos por exemplo, ocorre de termos narrativas diferentes para descrevê-las e qualifica-las. O acidente de trânsito ocorrido em algum cruzamento de ruas está aberto a uma variedade de interpretações, segundo o ponto de onde o observador o vê. Torna-se mais complexa, entretanto, a resolução de qualquer problema ou a orientação da conduta, quando a divergência afeta o conceito. E o conceito, normalmente, se traduz por palavras. Aqui, é o vocábulo habilidade que me interessa abordar. Quando se trata de um desportista, a forma como ele conduz e toca na bola, faz ou evita que ela entre nas traves ou na cesta, dizemos do atleta ser hábil ou não. Outras são as habilidades exigíveis de um líder político. Em especial, porque nas relações interpessoais tudo se torna mais complexo. Se os pés são importantes para os futebolistas e as mãos para os jogadores de basquetebol, é outra a forma de manifestar-se dos políticos, Por isso, os há atabalhoados, brutamontes físicos e mentais, como encontramos líderes capazes do exercício da empatia e da transformação dos sentimentos captados como bússola que os ajuda a satisfazer às expectativas dos seus liderados. Lula, que perdeu três eleições, na quarta pôs à prova a habilidade proclamada até por seus adversários. Com essa qualidade, porém, ele também firmou a imagem de dispor de grande dose do que transborda nos conciliadores. Muitos historiadores têm dito que a vocação conciliadora do brasileiro tem impedido a nação de avançar para posição que o tamanho de seu território, as riquezas nele contidas e características típicas da população, como a alegria e a solicitude reconhecidas autorizariam conquistar. Dizem os médicos que mesmo os remédios podem matar. Tudo é uma questão de dose. A leitura do cenário e a intervenção com o remédio adequado, e na dose certa, não é objeto de pura intuição. Se esta está presente, nem sempre basta. Por isso, a consagrada capacidade de usar o carisma de que se faz portador não tem sido suficiente a Lula, pelo menos nesse terceiro mandato. Ainda mais, quando, postulante de novo período na Presidência, ele se vêm enredado em situações onde muitos de seus liderados estão envolvidos. O tal tiro no pé ou fogo amigo. É, portanto, nos arraiais dos companheiros de legenda e ditos "aliados" que deve ser aplicado o máximo de rigor, se Lula pretende, mesmo, obter o quarto mandato presidencial. Se não, nova conciliação poderá fazê-lo conquistar novo mandato, para cumprir-se a máxima de Lampedusa: mudar para ficar tudo como está.

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