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Pizzaiolos

Dentre os muitos itens e assuntos que entretêm a elite em suas horas de ócio improdutivo, a gastronomia tem lugar garantido. Aos atuais chefs (chamá-los cozinheiros soa a ofensa), atribuem-se qualidades muito além da tatuagem e da aparência de mágicos capazes de inventar uma poção da imortalidade. Graças a isso, esses novos feiticeiros amealham fortuna e concedem a honra de trocar palavras com alguns dos comensais que os prestigiam. Enquanto nas melhores casas de repasto ingredientes amazônicos e de outras origens, estrangeiros às vezes, são incluídos nas receitas, ornamentais em relação aos cardápios (que os neofeiticeiros preferem chamar menus, dito com biquinho e tudo), há outras cozinhas em operação. Sem que, por isso, se estabeleça qualquer competição, ou concorrência, expressão mais adequada, como adiante se verá. Nessas cozinhas, o cardápio a ninguém surpreende. Nem nas novidades que o fazem cuidadosamente construído, nem pelo sabor conhecido quando as iguarias (como são iguais!) conseguem chegar ao estômago do comensal. Outro ponto importante, nessas cozinhas sem fogões ou fornos tradicionais, é a exclusividade: todas dedicam-se à produção de pizza. Embora de marcas diferentes, porque nesse ponto o mercado é muito bem provido, o sabor é o mesmo. Os temperos quase nunca variam. Os rótulos, assim, exercem fundamental importância. Também há quase unanimidade na receita, pelo menos no que diz respeito aos ingredientes indispensáveis. Daí a sugestão de itens que se revelam essenciais a uma receita perfeita. Aqui, apenas uma rima, não uma solução. Os leitores acrescentem, segundo sua própria percepção e seu paladar, os ingredientes que acham mais saborosos. Eis a sugestão que nenhum chef teve a coragem de editar: dois (ou mais) patriotas que ostentem e reverenciem a bandeira dos Estados Unidos da América do Norte; dois (ou, ao gosto do confeccionista) políticos habituais no desvio de verbas; três (podem ser quatro ou cinco - ou, ainda, seis) magistrados, de instância que o chef preferir. Neste caso, o mix é problema exclusivo dele. Alguns policiais infiéis e avessos ao devido processo legal dão boa liga à mistura. O prato fica mais digerível, se enfeitado com meia dúzia de jornalistas favorecidos com presença em saraus com mulheres estrangeiras, às vezes no exterior. Os demais ingredientes também podem ter passado por bons

ventos, porque o espaço aéreo do exterior conserva melhor o produto. E o prato, afinal, continuará conservado. Ad aeternum. Pizza, por isso, é o alimento preferido dos conservadores.

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