Fogo dos infernos
- Professor Seráfico

- há 3 horas
- 2 min de leitura
Como toda instituição humana, não se espere ter um dia uma alta corte de Justiça constituída apenas por pessoas puras, cópias dos anjos em sua mais alta hierarquia. Por isso, podem chegar no STF luminares do saber jurídico, tanto quanto semi-alfabetizados em Justiça e Direito. Alguns, haveremos de reconhecer, ainda pensam que a lei é a única fonte de Direito. Os mesmos que admitem chamarem-se operadores do Direito. Não raros, dando ao conceito de operação o sentido de cirurgia. Vem daí a frequência com que criam, aplaudem e estimulam a criação de verdadeiros frankensteins. Não faltarão, também, os que se pensam isentos de seguir a legislação vigente, ignorantes do que se conceitua como um fora-da-Lei. Ainda agora, foi necessário esmiuçar as relações que poderemos chamar incestuosas, porque os pais de todas as partes envolvidas são os mesmos - a República e a Democracia. Pois os filhos destas, abrigados sob as asas do casal, empenham-se em tresloucada porfia, cada qual usando a sabedoria popular - como sempre, em prejuízo dos que deveriam ser os beneficiários: comida pouca, meu pirão primeiro. Judiciário, Legislativo e Executivo são esses filhos, pródigos todos os três na busca de benesses negadas ao resto da população. Eis que um dos membros do STF vê chegada a hora de exigir de seus pares a observância de princípios e conduta ética a eles subordinada. Outro, com experiência trazida dos ambientes onde se produzem leis e as põem em execução, acrescenta item essencial à própria dignidade do Judiciário. Os que, integrando esse poder, cometem delitos, mais que aos outros, deveria ser aplicada punição exemplar. Ou seja, Flávio Dino mexe num vespeiro, mas tudo indica que o ministro sabe do que trata. E com quem trata. Não se espere que a tarefa de Fachin (que pretende reintroduzir a Ética no Judiciário) e Dino alcancem a unanimidade dos aplausos. Nem que a banda podre dos meios de comunicação (ou alguém duvida de sua existência?) cesse de procurar os defeitos e vícios que um dos dois ou algum de seus colegas poderá ostentar. Quem não tem virtudes, busca sempre lançar sobre os ombros de terceiros seus próprios vícios. Quando surge alguém diferente, eventual e não costumeiro delinquente, logo será condenado à fogueira. Não acreditar em brujas pode ser sábio, mas que elas existem, nosso cotidiano deixa ver com clareza.

Comentários