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Dorso flexível

Lembrei-me dos tempos em que – lá se vão trinta anos – ministrava aulas diárias na Faculdade de Estudos Sociais da UFAM. Dentre os colegas, sempre havia algum que, inseguro quanto ao seu cabedal de conhecimentos, ou dotado da arrogância própria da inconfessa ignorância, fazem de toda aula um modorrento monólogo. Ainda bem, estavam em minoria, alcançando os outros resultado e aprendizado razoáveis. O inseguro e ignorante das coisas de que deveria ser informado escondia suas fragilidades, dentre elas a desonestidade intelectual, impedindo a troca de ideias e a formulação de questões pertinentes à disciplina ministrada. Essa, no meu entender, a imagem do professor sem vocação e sem – o que é pior – discernimento. Um sem noção, como se vem dizendo hoje. Pois foi dessa maneira que o m(s)inistro Luiz Fux se comportou, professor que também é, durante a cansativa e frustrada tentativa de praticar um golpe contra o Poder Judiciário.  Desde a véspera de seu longuíssimo pronunciamento, o pai da desembargadora fluminense pedira aos colegas absoluto silêncio. Não acolheria, alegou antecipadamente, o pedido de qualquer aparte. Exatamente como o fazem os professores que não têm como sustentar seus pretextos, nem veem vantagem material em tê-los postos em questão. O resultado da convicção dos seus pares, à luz da abundante comprovação dos fatos em julgamento, não se alterou. Pelo menos, em relação aos interesses dos réus que ele tanto se empenhou em defender. Que, a bem da verdade deve ser dito, deixou de fora o menos graduado deles. Ocorrera em julgamentos anteriores, em relação que excluía os estrelados. Não foi apenas o chamado núcleo crucial, todavia, quem foi apenado. Se a Fux não será dado o destino da prisão, restará na memória de seus pares (?) e dos demais contemporâneos, certa espécie de desprezo e indiferença. Aquela merecida pelos que têm espinha dorsal exageradamente flexível.

 

 

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